RISCO VIRTUAL

Seguro cyber cresce 31% nos EUA; Chubb dispara e lidera setor

Relatório da AM Best também mostra queda de apólices exclusivas ao mesmo tempo que  aumentam coberturas incluídas em contratos de responsabilidade

24/05/2018 – 13:29
Atualizado em 08/06/2018 – 07:06

O mercado de seguros cibernéticos continua crescendo com força, mas está havendo uma reversão na tendência de compra de apólices específicas para o risco.

É o que mostra relatório da agência de qualificação de riscos AM Best focada no mercado americano, de longe o maior do mundo para seguros cibernéticos.

A agência também observa que o mercado segurador americano viu um aumento expressivo no número de sinistros que acionaram as coberturas de seguro cibernético.  Em 2016, o total de sinistros foi de 5.955, enquanto que em 2017 chegou a 9.017.

O ano foi marcado por ataques de grande porte como os vírus WannaCry e NonPetya, que causaram severas perdas a empresas em vários países.

Segundo o relatório, quase dois terços dos sinistros se relacionaram a perdas sofridas diretamente pelos compradores das apólices, e não por terceiros.

Exclusiva ou empacotada?

No ano passado, o mercado de seguros cibernéticos cresceu 32% nos Estados Unidos, segundo análise da AM Best, chegando a US$ 1,779 bilhão (R$ 6,5 bilhões) em prêmios diretos.

O número de apólices em vigor, por sua vez, aumentou 24%, chegando a 2.584, o que indica que o valor médio das apólices também está em alta.

Uma mudança importante observada no ano passado, porém, foi a reversão da tendência de 2016, quando as apólices “standalone” ganharam força em detrimento às coberturas contra riscos cibernéticos que são incluídas em pacotes de seguros de responsabilidades.

O número de apólices exclusivas caiu 32% em 2017, baixando para um total de 100 mil contratos, enquanto as “empacotadas” aumentaram 28,2%, o que significa que coberturas cibernéticas foram incluídas em 2,5 milhões de outras apólices de responsabilidades.

De acordo com a AM Best, isso indica que muitas empresas estão abandonando as coberturas exclusivas e optando pelas empacotadas por serem mais baratas.

Estratégias das empresas

O relatório também ajuda a dar uma ideia sobre como algumas das principais seguradoras globais estão abordando o mercado de seguros cibernéticos, que oferece ao mesmo tempo grande potencial de lucros e significativos riscos para os subscritores.

A maior player do mercado americano no momento é a Chubb, com um total de US$ 284,4 milhões em prêmios diretos no ano passado, o equivalente a 16% do total. A empresa assumiu a liderança após registrar um aumento de 112,9% em seus prêmios no período de um ano.

Em segundo lugar ficou a AIG, líder em 2016, com US$ 227,6 milhões e uma parcela de 12,8% do mercado. O volume de prêmios da AIG praticamente não variou no ano passado.

O pódio é completado pela XL Catlin, recém-adquirida pela Axa, com US$ 117,9 milhões de prêmios diretos (10,6% do total), após uma variação de 10,6% em 2017.

Mas elas não chegaram ao topo utilizando a mesma estratégia de vendas. Na Chubb, 94,2 % dos prêmios de seguros cibernéticos foram vendidos como coberturas em pacotes mais amplos em apólices de responsabilidades.

Já a AIG e a XL Catlin trabalham exclusivamente com apólices standalone. As duas empresas seguintes do ranking, Travelers e Beazley, também privilegiam as apólices exclusivas, que respondem por 74,8% e 90,1% dos prêmios, respectivamente.

Mas a CNA (6ª colocada) segue o padrão da líder e tem mais de dois terços de seus prêmios colocados em apólices gerais. Ao todo, 55,9% dos prêmios de seguros cibernéticos ao final de 2017 se relacionavam a apólices standalone.

Outro dado interessante diz respeito ao nível de exposição das empresas ao risco cibernético. Em todo o mercado de seguros não-vida, os prêmios do segmento representam meros 0,3% do total. Mas em algumas empresas o peso do risco na carteira é bastante mais significativo.

No caso da operação americana da Beazley, os riscos cibernéticos chegam a 33,3% do total do portfólio de riscos. No da BCS, sétima maior do segmento, a proporção é de 20,4%.

A AM Best observa que várias seguradoras estão de olho no mercado de pequenas e médias empresas, onde as taxas de penetração de seguros cibernéticos seguem baixas, mas devem crescer consideravelmente no futuro.