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Chegada de estrangeiras fomenta gestão de risco no agronegócio

Gigantes internacionais têm políticas mais maduras para gerir riscos; conscientização aumenta entre as nacionais, diz Martins, da Marsh

07/04/2017 – 14:17
Atualizado em 11/05/2017 – 08:38
Frangos no PA

Produção de frango no Pará: atividade faz frente a muitos riscos. (Foto: Ascom SEAS -Pará)

Eduardo Martins, da Marsh. (Foto: Divulgação)
Eduardo Martins, da Marsh. (Foto: Divulgação)

O agronegócio é uma das locomotivas da economia brasileira, mas também um setor em que a gestão de riscos e o uso de seguros corporativos ainda precisam se desenvolver.

A chegada de um número cada vez maior grandes empresas internacionais, porém, está ajudando a aumentar a conscientização do setor sobre a gestão de riscos, segundo Eduardo Martins, líder da área de Agronegócios da Marsh.

“No geral, as empresas estão se mostrando mais preocupadas com os riscos”, disse Martins a Risco Seguro Brasil. “O agronegócio é uma atividade de risco, com muitas exposições e bastante volátil.”

Ele notou que a segurança alimentar é uma preocupação em alta no mundo, e isso tem trazido vários grandes players internacionais ao Brasil, especialmente de países como a China e o Japão.

Muitas entram no Brasil comprando terra para produzir e exportar alimentos para seus países de origem. Como o governo pretende liberalizar a venda de terras para entidades estrangeiras, este fluxo de produtos estrangeiros pode se tornar ainda mais firme no futuro.

Um dos lados positivos deste processo é que muitas destas empresas chegam ao Brasil com políticas de gestão de riscos mais maduras que suas rivais nacionais, e podem assim dar um impulso ao desenvolvimento da atividade no setor.

“Essas empresas em geral têm a figura do gerente de riscos administrando seus riscos e programas de seguros”, observou Martins.

Seguros

O executivo disse que o mercado de seguros está buscando prover o agronegócio brasileiro com os instrumentos necessários para complementar políticas de gestão de riscos mais eficientes.

“Antes, o mercado era muito voltado ao produtor rural, que compra um produto de seguros de prateleira, e não atendia a necessidade do lado corporativo”, disse. “Agora estão sendo lançados produtos como o seguro paramétrico, que atende bem mais as necessidades corporativas.”

A Mapfre, com sua parceira com o Banco do Brasil, segue sendo de longe a principal player do setor devido à sua forte presença no seguro rural. Mas outras empresas, como Swiss Re CS e Allianz, também são ativas no agronegócio. Já a Tokio Marine acabou de entrar neste mercado, reforçando a oferta para as empresas do setor, disse Martins.

“O setor está chamando a atenção das seguradoras por seu potencial de crescimento”, disse Martins. “No Brasil, apenas 14% do agronegócio tem algum seguro para cobrir riscos inerentes ao negócio. Nos Estados Unidos, 90% da lavoura está protegida contra algum tipo de risco.”

A Marsh criou uma área especializada em agronegócios no começo de 2016, aglutinando o atendimento às empresas que atuam no setor.

A ideia é oferecer atendimento especializado a toda a cadeia de valor. Isso significa desde companhias que fornecem insumos como os fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, até as agroindústrias e as empresas de trading.

“Enxergamos uma necessidade de soluções corporativas em um setor onde as soluções de seguros sempre foram muito voltadas ao produtor rural”, afirmou.

Nova unidade

O principal risco enfrentado pelo setor é o de eventos climáticos e pragas e doenças que ameaçam a colheita, problemas que tiveram um forte efeito no setor no ano passado.

Mas fatores macroeconômicos como a taxa de inflação, variação cambial, a política fiscal e a instabilidade econômica também exercem um efeito importante nos vários estágios da cadeia de produção.

É neste conjunto de riscos que entra o mercado internacional, cuja influência sobre o agronegócio foi ilustrada com força com a reação de diversos mercados, que bloquearam as importações de carne brasileira após a eclosão da Operação Carne Fraca.

O terceiro pilar das ameaças enfrentadas pelo setor é constituído pelos riscos operacionais. Neste âmbito, Martins ressalta a logística como um fator que costumeiramente traz dores de cabeça para as empresas de agronegócio.

“Estima-se que as perdas de transporte sofridas pelo agronegócio cheguem a US$ 4 bilhões por ano”, afirmou o executivo. “Isso acaba encarecendo toda a cadeia de valor.” Segundo Martins, os riscos logísticos equivalem a 15% do faturamento das empresas de agronegócio brasileiras. Nos Estados Unidos, o número é menor que 9%.