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Compliance ganha força e pede maior orçamento nas empresas

Pesquisa global da DLA Piper revela grande preocupação com violações de dados e privacidade; anticorrupção fica em sexto no ranking

24/05/2017 – 09:13
Atualizado em 22/06/2017 – 07:36

Os departamentos de compliance estão ganhando força nas empresas, mas ainda não dispõem dos recursos ideais para realizar seu trabalho.

Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa global realizada pela consultoria DLA Piper que reforça a percepção de que o tema da conformidade veio para ficar em todo o mundo, incluindo o Brasil.

A pesquisa com responsáveis pela área em empresas de vários países descobriu que 84% dos entrevistados disse que gozam hoje de um status suficiente em suas empresas para influenciar decisões e fazer seu trabalho de forma eficiente. Isso inclui acesso aos conselhos e a capacidade de alocar recursos para suas iniciativas. O número representa um aumento na comparação com a pesquisa de 2016, quando 77% dos participantes responderam que tinham tal status em suas empresas.

Na interpretação da DLA Piper, este aumento mostra que os departamentos de compliance estão ganhando em estatura e em independência nas empresas.

Por outro lado, 38% dos respondentes afirmaram que não contam com um orçamento adequado para atingir os objetivos dos programas de compliance. No ano passado, a proporção era de 28%.

A crescente insatisfação com os recursos disponibilizados pode ser um reflexo do aumento da responsabilidade dos departamentos de compliance. Para conseguir mais recursos e seguir aumentando seu papel nas empresas, a DLA Piper recomenda que os chefes de compliance reforcem o efeito positivo do compliance sobre os resultados da empresa, algo que vai bem além da gestão de risco regulatório.

Principais preocupações

A pesquisa da consultoria revela também que o tema que mais preocupa os responsáveis pelo compliance das empresas internacionais hoje em dia estão ligados aos riscos cibernéticos.

As violações de dados, incluindo informações de terceiros, ocupam o topo das prioridades ao serem citadas por 66% dos entrevistados. A cibersegurança vem em seguida, com 63% das referências, mesmo patamar das mudanças regulatórias.

A regulamentação de seus mercados ficou em quarto lugar com 40% de menções, enquanto que a due dilligence de parceiros comerciais vem em quinto, com 36%.

Ações de combate à corrupção ficaram apenas na sexta colocação na pesquisa internacional, recebendo menções de 34% dos entrevistados.

A DLA não divulgou a segmentação geográfica dos resultados, mas é de esperar que a corrupção tenha ficado em posição mais alta nas empresas brasileiras entrevistadas. Treze por cento dos participantes, em geral empresas de grande porte, obtêm a maior parte de seu faturamento na América Latina.

Linha de comando

Apesar do aparentemente aumento da influência dos chefes de compliance nas empresas, a pesquisa da DLA Piper encontra alguns indícios de que ainda há muito caminho a ser trilhado pela função nas organizações.

Por exemplo, 37% dos executivos de compliance disseram que eles deveriam reportar diretamente ao conselho da empresa, mas apenas 12% afirmaram que isso é o que ocorre atualmente em suas organizações.

A consultoria também entrevistou membros de conselhos, e 44% deles disseram jamais receber nenhum tipo de relatório a respeito das políticas de conformidade.

Os executivos de compliance afirmaram ainda que o monitoramento das políticas de conformidade constituem a maior fraqueza de seus programas, com 46% das respostas.

A implementação de políticas e procedimentos vem em seguida com 34% de menções.

Os participantes observaram que um dos principais desafios encontrados é convencer os funcionários a participar de treinamento sobre compliance com o devido entusiasmo.

Uma maioria dos respondentes expressou dúvidas sobre a efetividade de aplicar punições a quem não obtém as certificações necessárias, muitos disseram que incentivos positivos tendem a funcionar melhor que as penalidades, e também há participantes que afirmaram que o remédio para este problema é insistir até que a turma pare de opor resistência.

Outro resultado interessante é que metade dos participantes afirmaram que suas empresas já possuem coberturas de seguro contra riscos cibernéticos. Das que possuem a cobertura, 98% disseram que ainda não tiveram que acioná-la devido a sinistros.