ARTIGO | WELLINGTON ZANARDI

Setor de seguros para mineração vive forte competitividade

Líder da Prática de Especialidades da Marsh Brasil observa que preços seguem em baixa no mercado internacional; no Brasil, subscritores mostram maior seletividade

Por Wellington Zanardi*
01/06/2017 – 06:07
Atualizado em 22/06/2017 – 07:33
Wellington Zanardi
Wellington Zanardi.(Foto: Divulgação)

No ano passado, o setor de seguros ligados à mineração registrou uma diminuição de 16% no valor de suas taxas em seguros, fato que demonstra um ambiente de acirrada competitividade entre os players para ofertar serviços de qualidade e preços atrativos.

A ampliação dessa oferta também colaborou para um aumento de 5% na capacidade para seguros e resseguros. Dados da versão mais recente do Mining Market Update, relatório global elaborado pela Marsh, líder em gestão de riscos e corretagem de seguros, indicam que o apetite para riscos do segmento de mineração deve se manter intenso em 2017.

A conclusão é compreensível quando os números mostram a pujança do setor e com isso, a preocupação latente para evitar qualquer interrupção na continuidade dos negócios. De acordo com um estudo feito pela consultoria PwC, somente no ano passado, as 40 maiores empresas de mineração do mundo alcançaram, unidas, receitas superiores aos US$ 500 bilhões.

Mesmo com a volatilidade no preço final de alguns minerais, fato que tem ocorrido com frequência nos últimos anos, o cenário para essas organizações é relativamente estável, não indicando uma mudança de rumo em curto prazo, a menos que ocorra um grande sinistro que possa expor falhas de governança e gestão de riscos.

Mercado brasileiro

No Brasil, ainda reflete no mercado segurador o acidente ocorrido com uma das maiores mineradoras atuantes no país.

Nos encontramos em um período de desafios, à medida que se recupera, lentamente, a confiança e o apetite do mercado segurador para riscos de mineração.

Grandes players seguradores estão mais exigentes quanto à subscrição de riscos para novas apólices e também para renovações. Algumas seguradoras até deixaram de operar com seguros para riscos de mineração.

Em relação às linhas de seguro, o apetite pelos riscos de property em mineração, onde estão alocados os grandes contratos, diminuiu consideravelmente.

Em seguros de liability, que possuem valor agregado menor, por sua vez, houve retomada na demanda. A principal razão desse movimento de mercado é o excesso de capacidade, além de oferecer menos restrições que o seguro patrimonial.

Mesmo com essa dinâmica, os preços se mantiveram estáveis no Brasil em 2016. Sem grandes sinistros, a perspectiva é de que permaneçam também estáveis em 2017.

* Líder da Prática de Especialidades da Marsh Brasil