BOLA DE CRISTAL

Setor crescerá 3% em 2018 e 2019, prevê Swiss Re

Expansão do volume de prêmios pode ser maior caso preços aumentem, o que parece inevitável para economista após queda de rentabilidade

23/11/2017 – 17:31
Atualizado em 04/01/2018 – 18:08
Sede da Swiss Re, em Zurique: empresa espera aumento das tarifas não-vida (Foto: Divulgação)

Sede da Swiss Re, em Zurique: empresa espera aumento das tarifas não-vida (Foto: Divulgação)

O mercado global de seguros não-vida deve crescer 3% por ano em 2018 e 2019, mas o ritmo se acelerar caso se concretizem os aumentos de tarifas esperados a partir de janeiro do ano que vem.

É o que afirma a seguradora Swiss Re em relatório sobre as perspectivas para o mercado de seguros divulgado nesta semana em Zurique.

De fato, a empresa acredita que os aumentos de preços de seguros e resseguros serão inevitáveis para o que o mercado recupere seu rentabilidade, após o forte impacto das catástrofes naturais em 2017.

“Aumentos de preços nos segmentos mais afetados já estão acontecendo e podem ser substanciais”, disse Kurt Karl, economista-chefe da Swiss Re.

“O volume total de perdas ainda não é conhecido, mas parece que vai ser elevado suficiente para causar aumentos (de preços) para além dos setores afetados. Isso também está acontecendo porque os preços caíram a patamares tão baixos nos últimos anos.”

A corretora Marsh estima que os preços globais de seguros comerciais vêm caindo de forma ininterrupta já há 18 trimestres. (Clique aqui para saber mais.)

Mercados emergentes

No setor de seguros de vida, a Swiss Re espera que o volume de prêmios cresça 4% no ano que vem. Em ambos os segmentos, serão as economias emergentes que devem funcionar como principais motores do crescimento global.

A Swiss Re estima que os prêmios não-vida vão se expandir de 6% a 7% anualmente no próximo biênio nos países emergentes, com a Ásia puxando o carro com maior vigor.

A resseguradora suíça prevê que o mercado latino-americano deve seguir se recuperando, após ter encolhido 1,8% em 2016.

Mas a taxa de crescimento de 1% no volume de prêmios, esperada para 2017, está longe de impressionar, especialmente comparada com os 10% registrados nos mercados emergentes da Ásia.

Uma das locomotivas da recuperação do seguro não-vida na região deve ser o mercado de seguros comerciais no Brasil, em que a empresa espera uma forte demanda.

Lucros em queda

A perspectiva de ajuste nos preços se reforça pela deterioração dos resultados das seguradoras não-vida.

De acordo com a Swiss Re, a taxa de rentabilidade líquida (ROE) das seguradoras não-vida globais caiu para 3% neste ano, contra 6% em 2016.

Além das elevadas perdas catastróficas, as persistentes quedas de preço e os baixos rendimentos das carteiras de investimento nos mercados desenvolvidos colaboram para esta pior performance.

Caso a subida de preços se confirme, e as taxas de juros subam nos Estados Unidos e Europa, a empresa espera que a rentabilidade se recupere, ainda não passe do patamar de 7% a 8% no ano que vem.

No mercado de  resseguros, a expectativa é que o aumento de prêmio se restrinja a 1%. O destaque neste caso devem ser as cessões de seguro de vida na Ásia emergente, que podem se expandir em 10%.

Clique aqui para ler o relatório em inglês.