NOVAS TECNOLOGIAS

Seguro ficou para trás e sabe disso, diz pesquisa

AM Best afirma que CEOs devem tomar as rédeas do processo de inovação nas companhias do setor para tirar o atraso tecnológico

23/02/2018 – 07:41
Atualizado em 16/03/2018 – 10:14
Fonte: AM Best

Fonte: AM Best

A indústria seguradora ficou para atrás de outros setores na adoção de novas tecnologias e seus executivos sabem disso, afirma um relatório da agência de qualificação AM Best.

Para conseguir tirar o atraso, é necessário que os próprios CEOs e outros chefes das seguradoras tomem a iniciativa de aprender sobre as novas tecnologias e acompanhar seu desenvolvimento e implementação. Mandar os departamentos de informática darem um jeito no problema já não é o suficiente, afirma a agência.

Isso porque a indústria do seguro também está vivendo a chegada de novos atores que ameaçam mudar totalmente a maneira como o setor atua.

A boa notícia é que alguns subscritores já estão trabalhando no tema, utilizando tecnologias de predição do comportamento dos clientes e inteligência artificial, por exemplo, para agilizar o processo de subscrição, precificar melhor suas coberturas e implementar sistemas de gestão de sinistros mais eficientes.

“As seguradoras simplesmente necessitam continuar a investir em novas tecnologias, e esperamos que os subscritores alquem uma porção material de suas despesas a melhorias tecnológicas e atualizações de seus sistemas”, afirma a AM Best no relatório.

Prioridades

As áreas em que as empresas acreditam haver mais necessidade de atualizar suas tecnologias incluem a coleta e utilização de dados (“data mining”), a melhoria da interação com os clientes e distribuição de produtos.

O “data mining” foi apontado por 27% dos entrevistados como a parte do seu modelo negócio que mais necessita adotar novas tecnologias. A AM Best nota que, pela própria natureza de seu negócio, as seguradoras coletam quantidades enormes de informações, e sua utilização pode trazer grandes avanços em termos de precificação e seleção dos riscos que elas tomam de seus clientes.

Por outro lado, é corrente no mercado a visão de que a qualidade dos dados coletados nem sempre é a melhor possível, o que acarreta riscos. De qualquer maneira, afirma o documento, tanto seguradoras como insurtechs estão investindo em ferramentas analíticas para digerir os dados coletados pelo setor.

O segundo item mais citado pelos executivos das empresas entrevistadas é a melhoria da atenção aos clientes, mencionado por 26,5% do total. A tendência, neste quesito, é que cada vez menos contato com os clientes se faça pessoalmente e com um uso de papelada, com um volume crescente de interações se realizando digitalmente, com uso de chatbots e outras tecnologias.

A distribuição de produtos veio em terceiro lugar, com 18,5% das escolhas, uma vez que as redes sociais estão criando oportunidades para que as seguradoras distribuam seus produtos ao consumidor final sem necessitar de intermediários.

A criação de novos produtos que acompanhem os modos de consumo sempre mutantes das pessoas e empresas recebeu 18% das menções, enquanto que os processos de subscrição ficaram com 10%.