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Seguro de países emergentes deve chegar a 40% do total mundial

Há dez anos, proporção era menos de 10%;  Allianz estima que crescimento de prêmios na América Latina só será inferior ao da China na próxima década

04/05/2018 – 12:55
Atualizado em 25/05/2018 – 10:10

As economias emergentes devem responder por 40% do volume global de prêmios no final da próxima década. Dez anos atrás, a proporção não chegava a 10%.

A previsão é da seguradora alemã Allianz, que publicou um estudo sobre o mercado segurador global em que também vaticina que a América Latina será segunda região com mais forte crescimento, perdendo apenas para a China.

A Allianz estima que o setor de seguros latino-americano crescerá uma média annual de 9,9% entre 2018 e 2020. Já na China a expansão será de 12,9% anuais, e na Ásia, excluindo os mercados chinês e japonês, de 8,8%.

Dessa maneira, a China deve passar os Estados Unidos, tornando-se o maior mercado de seguros no mundo por volta de 2028.

Ano passado

A Allianz calcula que o mercado global de seguros, incluindo os segmentos de vida e não-vida, mas excluindo os seguros de saúde, totalizou 3,66 bilhões de euros (R$ 15,4 bilhões) em prêmios no final do ano passado.

Cerca de 130 bilhões de euros (R$ 547,5 bilhões) em prêmios foram adicionados ao setor, com os países emergentes contribuindo com 80% desse número. A China, sozinha, foi responsável por dois terços do crescimento observado nas economias emergentes.

O volume de prêmios na América Latina cresceu 6,6%, um ritmo superior à media global, de 3,7%, mas menor do que na China (19,6%), Leste Europeu (9,5%), e Ásia sem China e Japão (7%).

Os mercados desenvolvidos, por sua vez, funcionaram como um lastro para o crescimento do mercado segurador. Os prêmios caíram 8,7% no Japão e cresceram minguados 0,5% na Europa Ocidental. Na América do Norte, a variação foi de 3,9%.

Como um todo, foi o mercado de seguros não-vida que puxou o ritmo de crescimento, ao fechar 2017 com uma expansão de 5%, quase o dobro da registrada entre os seguros de vida (2,8%).

O grosso da expansão das linhas de seguro não-vida ocorreu nas economias emergentes, onde os prêmios cresceram 11,6%. Nas economias mais ricas, foi de apenas 3,5%.

Tendências

A Allianz destaca em seu relatório que o desenvolvimento do mercado de seguros em 2017 foi superior ao do ano anterior, quando os prêmios aumentaram 2,9%.

Mas o setor ficou para trás da economia como um todo, que se expandiu 5,9%. Com isso, a penetração dos seguros acabou caindo.

A relação dos prêmios de seguros com o PIB global fechou o ano em 5,5%, o menor número em 30 anos, de acordo com a seguradora alemã.

A Allianz atribui boa parte da culpa por esta regressão à Europa Ocidental, onde a penetração de seguros de vida passou de 5,6% em 2007, quando começou a crise financeira global, para 4,4% no ano passado.

Aliás, foram os seguros de vida que apresentaram os piores desempenhos nos países desenvolvidos em 2017. Na Austrália, o volume de prêmios caiu 18,2%, e no Japão, 11,3%. No conjunto de economias industrializadas, os prêmios do segmento aumentaram pífios 0,5%.

Já nas economias emergentes houve um crescimento de 17,2% nos prêmos de seguros de vida, graças sobretudo ao mercado chinês.