TÁ INDO

Retenção em alta mostra resseguro mais maduro, aponta Terra Brasis

Estudo sobre o estado do setor considera que crescimento de prêmios com operações no exterior é outro sinal positivo para o mercado

Oscar Röcker Netto
17/07/2017 – 11:43
Atualizado em 17/08/2017 – 06:13
Rodrigo Botti, diretor da Terra Brasis
Rodrigo Botti, diretor da Terra Brasis.

O nível de retenção das resseguradoras locais no Brasil passou de 30% a 40%, entre 2011 e 2014, para 40% a 50% no últimos dois anos, o que representa mais um sinal de amadurecimento do mercado brasileiro, de acordo com análise da Terra Brasis.

Após dez anos de abertura do setor no país, o capital somado das demais locais fica próximo ao do IRB, antigo monopólio e líder absoluto do setor, aponta o Terra Report, estudo de mercado recém publicado. “Este feito não deve ser menosprezado”, nota Rodrigo Botti, diretor-geral da resseguradora, na introdução do trabalho.

Segundo a Terra Brasis, a capacidade estimada de retenção do mercado é de R$ 13,5 bilhões, sendo que são aplicados atualmente R$ 5,5 bilhões. “Existe significativo espaço para maior retenção de risco no mercado local”, diz Botti.

Após a abertura, 15 resseguradoras locais se instalaram no país. Segundo o estudo, o capital somado delas chega a R$ 3,6 bilhões, enquanto o capital do IRB é de R$ 3,1 bilhões. “Em dez anos o capital alocado em resseguros foi dobrado”, aponta o estudo. “Concluímos que as resseguradoras locais encontram-se com ampla capacidade de expansão.”

Made in Brazil

Para a resseguradora, outro sinal de amadurecimento é a continuidade de crescimento dos prêmios com origem no exterior. Nos 12 meses terminados em março deste ano, houve incremento de 25% desses prêmios nas locais, para R$ 1,6 bilhão, em relação ao mesmo período anterior. “O mercado local está em ótima posição para exportar resseguro”, avalia o diretor.

No início deste ano a alta foi mais forte: 64% maior no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2016.

No trimestre, os prêmios de resseguros vindo de cedentes brasileiras cresceu 11%.

Mercado geral

Nos prêmios totais (com cedentes brasileras e estrangeiras), 72% vieram do Brasil nos 12 meses finalizados em março.

Neste período, o volume total de prêmios de resseguro (bruto de comissão) somou R$ 10,5 bilhões, 2,7% a mais em comparação com o período anterior. Para a Terra Brasis, trata-se de um “comportamento estável” do mercado.

Cedentes brasileiras representaram R$ 7,6 bilhões do volume de negócios — sendo o IRB Brasil Re responsável por 45% desse resultado.

No primeiro trimestre do ano, o prêmio emitido pelas resseguradoras locais bateu em R$ 2,37 bilhões (R$ 1,38 bilhão só do IRB), 19% a mais do que no mesmo trimestre de 2016.

A sinistralidade teve queda expressiva nos 12 meses finalizados em março, registrando 56% contra 101% no mesmo período anterior. No primeiro trimestre, ela foi de 47%.

Retenção legal

A Terra Brasis lembra que em 2015 houve mudança na legislação, de forma a retornar gradativamente os patamares pré-mudanças estabelecidas em 2011 “em decorrência do comportamentos de alguns participantes [do mercado] não condizentes com o espírito da regulamentação”.

O objetivo era limitar as operações intragrupo, e fixou-se na época que 40% dos prêmios de resseguros deveriam ser ofertados no mercado local.

As mudanças mais recentes estabeleceram que até 2020 a oferta preferencial a resseguradores locais cairá gradativamente até chegar a 15%, sendo que em 2017 este patamar fica em 30%.

Clique aqui para acessar o Terra Report na íntegra.