FIM DE CICLO?

Preços caem de novo, mas mercado já espera aumentos em janeiro

Variação no 3º trimestre, de -1,6%, confirma ritmo mais lento de quedas; reversão de tendência pode ocorrer devido a impacto de catástrofes naturais

23/11/2017 – 12:41
Atualizado em 08/12/2017 – 06:28

Os preços globais de seguros caíram pelo 18º trimestre consecutivo, de acordo com a corretora Marsh.

Mas os sinais de que uma mudança de ciclo está à volta da esquina estão se tornando cada vez mais evidentes, especialmente na medida em que os subscritores assimilam as elevadas perdas catastróficas do terceiro trimestre.

Segundo a Marsh, os preços caíram 1.6% entre julho e agosto, em uma tendência observada em todas as linhas de negócio e regiões do planeta, com exceção da Austrália.

Os preços dos seguros de bens e propriedades registraram queda de 1,7%, o mesmo ritmo observado entre as coberturas de responsabilidade civil.

Já nas linhas financeiras e profissionais, a variação foi de -1,4%. Mesmo os seguros cibernéticos seguem com preço em queda, após apresentarem uma redução de 1,1% nos Estados Unidos, que serve como referência mundial por ser disparado o maior mercado desta cobertura.

Na América Latina, as tarifas apresentaram queda global de 0,9%, puxadas pelos seguros de bens e propriedades, que ficaram em média 3,9% mais baratos no trimestre.

As outras duas grandes famílias de produtos, porém, tiveram aumento na região. Os seguros de responsabilidade encareceram 5,1%, e as linhas financeiras, 1,1%.

Aumentos à vista

De acordo com o levantamento da Marsh, os preços globais de seguros estão em queda desde março de 2013.

Mas o ritmo de queda de preços já vinha se desacelerando mesmo antes das catástrofes do terceiro trimestre. As reduções chegaram ao ápice no fim de 2015, com -5%, e desde então vêm se moderando.

Neste ano, as variações já haviam sido de -2,3% no primeiro trimestre e -2,2% no segundo.

Na América Latina, os preços têm sido mais voláteis, mas a tendência de desaceleração também é evidente.

Na mais recente temporada de divulgação de resultados, vários subscritores internacionais anunciaram que terão que buscar aumentos de preços nas renovações de janeiro para enfrentar as perdas sofridas durante os furacões, terremotos e incêndios florestais que atingiram os Estados Unidos, Caribe, México e outras partes do mundo entre julho e outubro.

As perdas acumuladas devem passar de US$ 100 bilhões, com alguns analistas prevendo que serão as maiores jamais sofridas pela indústria em um só ano.

Nesta semana, o economista-chefe da Swiss Re, Kurt Karl, alertou que as seguradoras e resseguradoras terão que implementar aumentos significativos para voltar a ter lucro no futuro próximo. (Clique aqui para ler a matéria.)

Fontes também disseram à RSB que o principal tema de discussões no recente encontro da Fides, a federação de seguros latino-americana, em El Salvador, foi até que ponto a esperada mudança de ciclo global vai atingir os mercados da região.

Estados Unidos

O principal obstáculo para os aumentos de preços, porém, é a abundante capacidade que continua disponível no mercado.

Segundo a Marsh, no final do segundo trimestre, havia US$ 746 bilhões de capacidade no mercado dos Estados Unidos, o maior do mundo. No começo de 2012, este número era de US$ 583 bilhões.

Por sua vez, a agência de avaliação de riscos AM Best calculou que as perdas catastróficas no mercado americano de bens e propriedades chegaram a US$ 38,4 bilhões nos nove primeiros meses do ano, um aumento de 89,1% na comparação com o mesmo período de 2016.

Com isso, o índice combinado do setor se detereriorou em quatro pontos percentuais, chegando a 104%.