ARTIGO | ALEXANDRE ZUVELA

Onde o risco é um bom horizonte

Para vice-presidente da Fesa, gestores de risco hoje precisam diversificar sua operação, além de serem especialistas e generalistas ao mesmo tempo

por Alexandre Zuvela*
05/02/2016 – 09:00
Atualizado em 17/02/2016 – 07:14
Alexandre Zuvela, vice-presidente da Fesa.
Alexandre Zuvela, vice-presidente da Fesa.

Vivemos dias nos quais muito se fala em mitigação e monitoramento de riscos. Tais pautas têm dominado as agendas executivas no mercado securitário e, somadas à área de compliance, dão musculatura às discussões sobre processos e ferramentas para a gestão empresarial.

A cada nova notícia que traz consigo questões ligadas a riscos ou compliance, nas mais variadas editorias, de política à ambiental, é proporcional a crescente onda de profissionais especialistas que desembarcam no mercado. É notório o olhar crítico que as organizações vêm dando para tais executivos. Contudo, é importante também que essas mesmas empresas tenham, em suas políticas de governança corporativa, a formalização prática sobre independência e responsabilidade que tais estruturas precisam para poder desempenhar bem os seus papéis, dado o grau de relevância que as áreas exigem.

Com relação aos perfis profissionais, um ponto fundamental é a preparação para o exercício da função, já que por vezes vemos companhias alocando executivos sem uma ou outra formação ou experiência técnica para tal, confiando apenas nos processos e ferramentas já existentes.

Claro que esses mecanismos são importantes na gestão de riscos e no compliance, porém entendemos ser de fundamental importância a busca por profissionais experimentados e, de preferência, com bagagem de liderança nessas áreas. Pois num ambiente tão dinâmico em termos de inovações e desafiador nos aspectos relacionados à economia global, a realidade das organizações tem mudado a cada momento, à luz das novas situações que precisam ser pensadas, monitoradas e aprimoradas.

Com isso, chegamos a um processo de busca e seleção de executivos mais criterioso. Na rotina diária, tenho buscado profissionais que, além da profunda experiência técnica, também demonstrem uma postura de vanguarda quanto ao conhecimento sobre o ambiente que sua empresa está inserida – local e globalmente – e que tenham a capacidade de traduzir esses conhecimentos em temas concretos para serem discutidos e analisados nos comitês executivos e conselhos administrativos.

Atuar em áreas de riscos hoje significa diversificar sua operação, dialogar constantemente com os diferentes degraus da pirâmide, adequar e antever novos processos, ser generalista e especialista ao mesmo tempo, ser prático e pragmático.

Sim, o “risco” se faz bom horizonte para os executivos.

*Alexandre Zuvela é vice-president & partner da Fesa, consultoria de busca e seleção de altos executivos.