RISCO CATASTRÓFICO

Natureza poupa, mas ser humano ameaça as metrópoles brasileiras

Estudo patrocinado pelo Lloyd’s lista temas econômicos e conflitos civis como principais riscos catastróficos enfrentados por 10 cidades

08/06/2018 – 07:00
Atualizado em 08/06/2018 – 07:02

Catástrofes naturais não são uma grande ameaça para a sobrevivência das grades cidades do Brasil. Com o risco representado pela catástrofes humanas o papo já é outro.

Um estudo a exposição de riscos das cidades globais patrocinado pelo Lloyd’s de Londres mostra que o ser humano está por trás dos principais desastres que podem se abater sobre as metrópoles brasileiras.

Os conflitos civis, que estão em voga com o aumento da insegurança, o tráfico de drogas e a crescente aspereza política no país, com os mais afoitos até defendendo golpes militares, ocupam lugar proeminente na lista.

O estudo, realizado pela Universidade de Cambridge, inclui dez cidades brasileiras entre as 279 metrópoles avaliadas de acordo com a sua exposição a 22 riscos naturais e humanos.

As dez cidades brasileiras incluídas são São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Manaus. Juntas, elas somam US$ 15,62 bilhões em exposições aos riscos analisados, com a capital paulista puxando a lista com US$ 6,54 bilhões.

Afundamento de mercado

Dois dos três principais riscos enfrentado pelas cidades brasileiras estão ligados à economia. Caso haja um crash global dos mercados financeiros, elas devem sofrer perdas estimadas pela Universidade de Cambridge em US$ 7,3 bilhões – quase a metade da exposição total.

São Paulo, centro financeiro e econômico do país, responde por quase US$ 3 bilhões de exposições, o que lhe vale a 13ª colocação no ranking global nesse quesito em particular.

Outro risco importante é o de um default soberano por parte do estado brasileiro. Com uma exposição total de US$ 2 bilhões entre as dez cidades, esse item fica em terceiro lugar na lista de riscos catastróficos.

Se o Brasil der um calote em seus credores, os pesquisadores esperam que São Paulo sofra perdas de US$ 822 milhões, o que lhe vale a segunda colocação entre as 279 cidades pesquisadas. O Rio fica em sétimo no ranking global com US$ 347 milhões em perdas potenciais.

A exposição do sempre endividado e mal gerido Brasil às idas e vindas dos mercados globais não constitui grande novidade. Chama mais atenção, porém, o fato de que os conflitos civis domésticos são considerados pelos pesquisadores como o segundo principal risco enfrentado pelas metrópoles do país, criando exposições de US$ 2,02 bilhões.

São Paulo, com US$ 833 milhões de perdas potenciais, é a 15ª cidade do mundo mais exposta a esse risco.

O estudo destaca a crescente desigualdade de renda como um fator que está incrementando esse risco na América Latina. Movimentos de protesto de cunho político, social e econômico causam distúrbios à economia, como se viu nas últimas semanas com a greve dos caminhoneiros.

A persistência de regiões em que o Estado não consegue impor sua autoridade está se tornando um problema cada vez mais premente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Os pesquisadores afirmam que as cidades brasileiras apresentam uma capacidade de resiliência moderada aos riscos analisados e alertam que são necessários mais investimentos em infraestrutura para que o país possa fazer frente a eventuais catástrofes, humanas ou naturais.

Mundo

São Paulo, com seu peso econômico, merece a 13ª colocação no ranking global de exposição a riscos, enquanto o Rio de Janeiro fica em 56º.

Juntas, as 279 cidades analisadas representam um risco financeiro acumulado de US$546 bilhões. A lista é encabeçada por Tóquio, com US$ 24,31 bilhões, Nova York, com US$ 14,83 bilhões, e Manila, com US$ 13,27 bilhões.

Em termos globais, a possibilidade de um novo crash dos mercados financeiros lidera o ranking de perdas potenciais, com US$ 103,33 bilhões.

Em segundo lugar vêm os conflitos entre países, com US$ 80 bilhões. É, por exemplo, a principal ameaça que paira sobre a capital japonesa.

Tempestades tropicais (US$ 62,59 bilhões), Pandemias (US$ 47,13 bilhões) e enchentes (US$ 42,9 bilhões) completam a lista de cinco maiores riscos. Os conflitos civis, com US$ 37,1 bilhões em exposições, ficam em sexto.

Para o estudo, os riscos criados pelo homem hoje são uma ameaça maior às metrópoles globais que as catástrofes naturais, representando 59% das perdas potenciais.