RENOVAÇÕES

Mercado segue brando e força mudanças no resseguro

Segundo Willis Re, expectativas de que catástrofes justificassem aumentos generalizados de preços não se concretizaram até o momento

06/04/2018 – 07:59
Atualizado em 13/04/2018 – 06:39
Estragos causados pelo furacão Harvey no Texas: catástrofes não tiveram efeito esperado. (Foto: Reprodução)

Estragos causados pelo furacão Harvey no Texas: catástrofes não tiveram efeito esperado. (Foto: Reprodução)

Ainda não foi desta vez que os aumentos de preços se espalharam pelo resseguro internacional, apesar da deterioração dos resultados do setor no último ano.

Sem poder aumentar os preços de forma mais consistente, as empresas do setor estão buscando, portanto, otimizar seus portfólios, abandonando de linhas que dão prejuízos e buscando expandir-se em nichos de maior potencial de crescimento.

Isso também se reflete entre as seguradoras primárias do setor não-vida, que estão voltando a atuar com maior vigor no resseguro.

Um dos resultados dessas tendências é a onda de fusões e aquisições vistas nos últimos meses, como a compra da XL Catlin pela Axa e da Validus pela AIG.

Essas são algumas das conclusões de uma análise das renovações de primeiro de abril publicada pela corretora Willis Re.

Para os compradores de seguros, a boa notícia contida no relatório é que qualquer esperança que o mercado tinha de poder realizar uma ampla gama de aumentos de tarifas, como resultado das fortes perdas catastróficas de 2017, foi rechaçada até o momento.

Mais provável, segundo a empresa, é que ocorra um processo de alta gradual e lenta, especialmente se os resultados das resseguradoras continuarem piorando.

Tempos difíceis

A Willis Re observou que os resultados anuais das resseguradoras globais que foram divulgados no primeiro trimestre refletem um significativo impacto das catástrofes naturais do ano passado em seus lucros.

Mais preocupante, porém, é o fato de que houve uma deterioração dos resultados também nas linhas não afetadas por furacões, enchentes, terremotos e incêndios florestais.

“Embora prevista já há bastante tempo, o impacto desta deterioração está agora impelindo praticamente todos os executivos (de resseguradoras) a tomar ações decisivas”, afirma o relatório.

“Isso é evidente em vários resseguradores e subscritores de linhas ‘specialty’ que estão incrementando os esforços para remodelar seus portfólios, saindo de linhas de negócios que não dão lucro e implementando programas para cortar custos.”

A manifestação mais dramática deste processo, na visão da Willis Re, é a volta de seguradoras primárias ao mercado de resseguro, que muitas abandonaram nas décadas de 1990 e 2000.

A corretora nota que muitas empresas que dependem dos mercados de pequenas e médias empresas estão vendo seus modelos serem afetados por novos canais de comercialização e outras mudanças trazidas pela tecnologia ao setor.

Além disso, lucros menores fazem com que fique mais difícil para as resseguradoras diferenciarem suas ações de outros ativos disponíveis para os investidores nos mercados de capitais.

“Neste contexto, a compra de grandes empresas de resseguro que são bem geridas e transparentes, com sinergias em áreas que já fazem parte de seu portfólio, se torna atrativo (para as empresas do setor)”, diz o documento.

Variações de preços

No setor de danos à propriedade, as variações de preços mais significativas no primeiro trimestre ocorreram no Caribe, onde as taxas subiram até 35% em áreas com risco catastrófico.

Mas nos Estados Unidos, que também foram fortemente afetados por desastres naturais em 2017, os aumentos não passaram de 10% mesmo nas áreas de maior risco.

Segundo a Willis Re, as seguradoras tentaram emplacar reajustes bem mais altos do que isso para riscos catastróficos nos EUA, mas em geral acabaram tendo que aceitar patamares inferiores a 10%.

As catástrofes tampouco afetaram a elevada capacidade disponível no mercado americano, que exerce forte influência sobre as tendências globais.

A incapacidade do mercado de fazer os preços subirem se refletem também em outras coberturas que tiveram perdas no ano passado, como os riscos cibernéticos. As tarifas para as coberturas cyber baixaram entre 5% e 10% nas renovações de abril.