ENTREVISTA

IRB Brasil prevê que logo será número 1 na América Latina

Presidente José Carlos Cardoso diz que expansão internacional foca em linhas que a empresa já conhece e em parcerias estratégicas

10/05/2018 – 05:17
Atualizado em 10/05/2018 – 05:19
O presidente do IRB Brasil, José Carlos Cardoso. (Foto: Divulgação)
O presidente do IRB Brasil, José Carlos Cardoso. (Foto: Divulgação)

Líder disparado no mercado de resseguros doméstico, o IRB Brasil Re espera logo se tornar também a maior resseguradora da América Latina.

É o que prevê o presidente da empresa, José Carlos Cardoso, que, em entrevista a RSB, comemorou os bons resultados colhidos pelo IRB Brasil desde a operação de abertura de capital, IPO, realizada no final de julho.

Em 2017, o IRB Brasil apresentou aumento de 8,8% no lucro líquido, apesar do impacto da dramática queda da taxas juros sobre os investimentos financeiros da empresa.

Neste ano, a empresa também está tendo um bom desempenho, uma vez que a performance no primeiro trimestre foi 18% superior à do mesmo período de 2017, segundo resultados apresentados no começo de maio.

“Hoje nós somos a oitava maior resseguradora do mundo em termos de valor de mercado,” Cardoso disse à RSB. “Somos a número dois da América Latina, mas em pouco tempo acredito que seremos a número um.”

O resultado consolida a posição do IRB Brasil como a resseguradora listada em bolsa mais rentável do planeta, uma vez que o retorno sobre o patrimônio líquido atingiu 27,2% no ano passado, comparado com uma média de mercado de 3,4%, conforme cálculo da Wills Re. (Clique aqui para saber mais.)

Operações no exterior

O IRB Brasil conseguiu bons resultados em 2017 graças ao forte aumento de sua presença em operações de resseguro e de retrocessão no mercado internacional.

No ano passado, o volume de prêmios captados no exterior aumentou 73%, chegando a R$ 2,073 bilhões. No primeiro trimestre, o aumento foi de 17,6%, comparado com o mesmo período de 2017, com os prêmios representando 39% do total emitido pela empresa.

A boa performance compensou o fraco desempenho do mercado doméstico, em que a indústria de seguros se arrastou por mais um ano, afetando as cessões de resseguro. Os prêmios de resseguro emitidos localmente pelo IRB Brasil caíram 0,6% em 2017 e 3,1% no primeiro trimestre.

“Nenhuma resseguradora pode viver só de um único mercado,” disse Cardoso.

Segundo ele, a estratégia internacional da empresa passa por focar em setores que conhece bem, como os seguros de vida, rurais e aeronáuticos, ao mesmo tempo que evita áreas em que possui menos experiência, como os riscos catastróficos.

Além disso, o IRB privilegia sua participação em contratos de retrocessão, o que limita sua exposição a perdas.

A empresa possui alguma exposição catastrófica nos Estados Unidos, explicou, mas sempre como participante nas camadas mais elevadas dos programas, o que reduz a exposição a perdas.

Dessa maneira, a empresa observou perdas limitadas em 2017, um ano em que o setor em geral sofreu pesadamente com uma série de eventos catastróficos devido aos furacões e incêndios florestais que atingiram os Estados Unidos e o Caribe, além de terremotos, enchentes e outras desgraças. A sinistralidade reportada pelo IRB Brasil em 2017 foi de 59%.

Novos parceiros

Outro aspecto da estratégia da empresa é buscar parceiros que têm interesse em compartilhar negócios com o IRB.

Por exemplo, Cardoso destacou operações realizadas com a francesa La Reunion Aerienne, especializada em resseguros aeronáuticos e espaciais, que desejava uma maior exposição ao mercado brasileiro de riscos aeronáuticos, em que o IRB possui uma posição de liderança.

Ex-executivo da também francesa Scor, Cardoso utilizou seus contatos internacionais para negociar um acordo com a empresa, repassando parte de seu portfólio de riscos aeronáuticos, focado no mercado brasileiro, em troca de uma exposição aos riscos da La Reunion Aerienne, localizados em outras partes do mundo. A transação foi feita através de contratos de retrocessão.

Tradicionalmente, a saída para diversificar este risco seria ir ao mercado londrino, mas a solução francesa pareceu uma melhor alternativa para a empresa pelo seu caráter de reciprocidade.

“Em vez de fazer um contrato de retrocessão com uma companhia do Lloyd’s que não me trazia nada de benefício, a gente fez uma troca dentro dos nossos portfólios,” disse Cardoso. “Desta maneira, estamos acessando o mercado internacional e diversificando o risco, sem correr o risco de aceitar um negócio que não conhecemos.”

Mercado doméstico

O IRB deve seguir sua estratégia de expansão internacional com foco em mercados latino-americanos como a Argentina, onde já possui uma unidade local, a Colômbia e o México, além da participação como membro do painel de resseguradoras em contratos que incluam outras partes do mundo, como Ásia e Europa.

Além disso, pretende continuar trabalhando com grupos internacionais que querem lançar novos produtos no Brasil, valendo-se da expertise no mercado nacional acumulado nos 79 anos de experiência da empresa, na maior parte dos quais funcionou como um monopólio.

“Nós somos procurados por grandes players que querem se associar com determinados produtos e serviços porque sabem que nós somos o canal de entrada na região,” afirmou o CEO.

Cardoso também espera que o mercado brasileiro volte a apresentar boas oportunidades, uma vez que a recuperação da economia se consolide e os investimentos em infra-estrutura voltem a se acelerar.

O presidente do IRB considera ainda que a experiência da empresa em lidar com as peculiaridades do mercado brasileiro lhe dá uma posição de vantagem na hora de competir com rivais que fazem parte de grupos internacionais pela proximidade das esferas de decisão com o cliente.

E a empresa acredita que sua postura tem sido avalizada pelo mercado, uma vez que, desde o IPO até o começo de maio, a ação do IRB Brasil havia valorizado 80%, comparado com 28% do Ibovespa no mesmo período, segundo dados cosntantes da mais recente apresentação de resultados.

Negócio internacional alavanca resseguro local em 2017