RANKING

IRB Brasil lidera mercado global de resseguros em lucratividade

Segundo levantamento da Willis Towers Watson, retorno sobre o patrimônio da empresa é o mais alto do setor ao fechar semestre em 26,6%

08/09/2016 – 03:15
Atualizado em 21/09/2016 – 08:55

O IRB Brasil Re liderou o ranking da lucratividade no mercado global de resseguros no primeiro semestre, de acordo com a corretora Willis Towers Watson.

Ao mesmo tempo, porém, a empresa perdeu quatro posições no ranking das 50 maiores resseguradoras do mundo elaborado pela agência de classificação de riscos AM Best.

Relatórios divulgados nesta semana mostram que os resultados da empresa líder do mercado brasileiro de resseguros se destacam em uma indústria global marcada por uma redução acentuada das margens de lucro e um aumento das perdas catastróficas.

O IRB Brasil fechou o semestre com um retorno sobre o patrimônio de 26,6%, a mais alta entre as empresas que compõe o índice do mercado de resseguros da Willis Towers Watson.

Apenas a Hiscox conseguiu apresentar uma performance comparável, fechando o período com uma rentabilidade de 24,7%. O top 3 é completado pela Beazley, com 18,3%. Todas as demais tiveram índices inferiores a 15%, e a média do mercado foi de 8,3%.

Grande parte do desempenho se deve porém à performance dos investimentos do IRB, que se beneficiam das altas taxas de juros praticadas no Brasil. O portfólio da empresa obteve um retorno de 14,4% no primeiro semestre, contra uma média global de 3,1%. A maioria de seus rivais operam em mercados onde as taxas de juros se encontram em níveis jamais vistos de tão baixos.

Prêmios e sinistralidade

O IRB Brasil também figura na terceira posição em termos de crescimento de prêmios líquidos, com 23,4%, atrás apenas da Endurance (25,1%) e da XL Catlin (45,9%).

Quanto ao índice combinado, o IRB Brasil fica na colocação, com 82,5%. A média global foi de 94,1%.

A Mapfre, que tem uma significativa exposição ao mercado brasileiro, obteve retornos de 10,2% em seus investimentos. Nenhuma outra empresa chegou a 5%.

Já no ranking anual das 50 maiores resseguradoras do mundo elaborado pela AM Best e também divulgado nesta semana, o IRB aparece na 36ª colocação após somar US$ 1,13 bilhão em prêmios brutos no ano de 2015.

A empresa perde assim cinco posições na comparação com o ranking do ano passado, apesar de ter aumentado seu volume de prêmios em 31%.

Mas a AM Best converte os prêmios de cada grande resseguradora ao dólar americano, que se valorizou bastante em comparação com o real em 2015.

O IRB foi a empresa que mais perdeu posições no ranking de 2016. Allied World (41º), Maiden Re (42º), Sompo Japan Nipponkoa (48º) e QBE Insurance Group (24º) perderam quatro colocações cada.

Por sua vez, a Qatar Re (35º) subiu 15 posições, e a Renaissance Re (20º) subiu seis, nos maiores avanços.

O ranking é liderado pelas três grandes resseguradoras europeias: Munich Re (US$ 37 bilhões em prêmios), Swiss Re (US$ 32,2 bilhões) e Hannover Re (US$ 18,6 bilhões).

O grande destaque do topo do ranking foi a queda da Berkshire Harthaway, que passou da quarta para a sexta colocação após ser ultrapassada pela SCOR (US$ 14,7 bilhões) e pelo Lloyd’s (US$ 12,7 bilhões).

A empresa vem dizendo que, como os preços do resseguro global estão cada vez menos atrativos, ela tem procurado otimizar seu portfólio de riscos.

Outro dado interessante é que as 10 maiores resseguradoras do mundo dominam 72% do mercado, um nível de concentração que está aumentando.

Mercado global

Em seu relatório, a Willis Towers Watson prevê um segundo semestre “desafiador” para a indústria do resseguro.

Segundo a empresa, a taxa média de retorno de capital das resseguradoras que fazem parte de seu índice caiu de 10,4% no primeiro semestre de 2015 para 8,3% no mesmo período deste ano.

Já o índice combinado aumentou de 91,5% para 94,1%, refletindo o crescimento da sinistralidade catastrófica enfrentada pelo setor.

Apesar da deterioração dos resultados, investidores continuam trazendo dinheiro para mercado de resseguros. O capital agregado dos acionistas das empresas que fazem parte do índice da Willis Towers Watson aumentou 2,6% em um ano, chegando a US$ 338,3 bilhões.

Já o volume de capital alternativo que toma forma de instrumentos como cat bonds e ativos ligados ao mercado de seguros (ILS) cresceu de US$ 65 bilhões para US$ 70 bilhões em um ano.

Outra conclusão da corretora é que as resseguradoras estão ampliando suas linhas de atuação a fim de obter crescimento líquido de prêmios em um período em que os preços continuam em queda. No primeiro semestre, o volume de prêmios do setor subiu 2,2% em um ano.

Resultado do resseguro global se deteriora no primeiro semestre