RANKING

IRB Brasil cresce e já é a 28ª maior resseguradora do mundo

Empresa se destaca também como mais rentável do setor; maior exposição ao exterior pode ser testada por série de eventos catastróficos

15/09/2017 – 06:12
Atualizado em 07/11/2017 – 07:33

O IRB Brasil subiu oito posições no ranking mundial de resseguradoras e já é a 28ª maior empresa do setor em volume de prêmios.

Ranking elaborado pela agência de avaliação de riscos AM Best mostra que o IRB Brasil fechou 2016 com US$ 1,52 bilhão em prêmios brutos de resseguros, em uma performance ajudada tanto pelo crescimento da carteira da empresa quanto pela valorização do real com relação ao dólar americano.

Outro levantamento, da corretora Willis Re, confirmou a posição do IRB como a resseguradora mais lucrativa do planeta.

A empresa reportou um índice de retorno sobre patrimônio líquido de 27,5% no primeiro semestre, contra uma média de 4,6% do mercado como um todo.

São números como esses que estão levando analistas a recomendar a recém-listada ação do IRB a seus clientes. Por exemplo, o banco JP Morgan recentemente lançou um relatório classificando a ação do IRB como OW (Overweight), ou seja, recomendando um peso maior do que o normal em um portfólio de ações.

O JP Morgan estabeleceu uma meta de R$ 34 para a ação do IRB, que foi lançada no mercado no final de julho a R$ 27,23. No dia 14 de setembro fechou o pregão da B3 em R$ 31,15.

Teste à vista

Os bons resultados do IRB Brasil devem ser colocados à prova, porém, neste trimestre, uma vez que as perdas catastróficas enfrentadas pelo setor de resseguros estão se acumulando de forma notável.

Nos últimos anos, o IRB fez um esforço para aumentar seu portfólio de riscos no exterior, em uma estratégia que visa reduzir a dependência da empresa aos resultados dos investimentos financeiros.

Com vários anos benéficos em termos de perdas catastróficas, a estratégia tem dado resultado, com o IRB reportando elevado crescimento de prêmios e baixos índices combinados que, bombados pelos resultados dos investimentos, proporcionaram fortes retornos aos acionistas.

Mas a maior exposição a clientes no exterior também significa uma exposição maior a riscos catastróficos, algo que pouco existe no Brasil.

Segundo o prospecto final da IPO, em março de 2017, o IRB tinha 5% de sua receita líquida ligada a contratos de resseguros nos Estados Unidos, que foram fortemente afetados pelos furacões Irma e Harvey nas últimas semanas.

Já outros 13% são originados na Europa, onde as resseguradoras estiveram bastante expostas aos furacões e outras catástrofes nos últimos meses. O IRB pode estar exposto a estes mesmos riscos através de contratos de retrocessão.

O impacto das recentes catástrofes no índice combinado da empresa no terceiro trimestre vai mostrar que tipo de riscos o IRB Brasil esteve disposto a tomar a fim de vitaminar seu portfólio internacional às vésperas da IPO. Em dezembro de 2016, 6% da receita líquida do IRB vinha de clientes na Europa, e 3%, nos Estados Unidos.

Prêmios

O ranking da AM Best mostra que a Swiss Re assumiu a liderança do mercado de resseguros no final de 2016, totalizando US$ 35,6 bilhões em prêmios brutos.

Ela ultrapassou assim a Munich Re, que fechou o ano com US$ 33,2 bilhões.

As duas têm grande vantagem sobre a terceira colocada, a Hannover Rück, com US$ 17,2 bilhões.

Em quarto lugar aparece a francesa Scor, com US$ 14,6 bilhões. O top 5 mundial é completado pela Berkshire Hathaway, com US$ 12,7 bilhões.

O Lloyd’s ficou na sexta colocação, com US$ 11,6 bilhões, enquanto que duas resseguradoras de países emergentes aparecem entre as dez maiores: a China Re (oitava com US$ 7,9 bilhões) e a Korean Re (décima, US$ 5,6 bilhões).

A empresa que mais galgou postos no ranking foi a japonesa MS&AD, que assimilou em 2016 os prêmios da britânica Amlin, o que lhe valeu 11 posições no ranking. A empresa fechou 2016 como 16ª maior do mundo.

Em seguida aparece o IRB, que subiu da 36ª colocação para a 28ª. Endurance e Peak Re ganharam 7 posições cada.

Rentabilidade

No ranking de rentabilidade da Willis Re, os 27,5% de retorno sobre patrimônio líquido obtidos pelo IRB no primeiro semestre de 2017 deixam longe a segunda colocada, Beazley, com 17,6%.

Everest Re (12,9%), Korean RE (12,7%) e African Re (12,65%) fecham o top 5, ainda que no caso dessa última os dados se refiram ao ano de 2016.

O IRB também se destaca por ter um dos mais baixos índices combinados entre as 34 empresas avaliadas pela Willis Re, com 86% no final de junho.

Apenas Arch Capital (83,1%), Validus (82,9%), Renaissance Re (79,7%) e Lancashire (78,4%) tiveram índices inferiores.