INOVAÇÃO

Insurtech vai oferecer trading de riscos seguráveis

Empresa desenvolve plataforma nas Bermudas na qual investidores poderão comprar e vender parcelas de riscos cedidos por subscritores

29/03/2017 – 18:21
Atualizado em 04/05/2017 – 06:53
O logo da Extraordinary Re. (Reprodução)
O logo da Extraordinary Re. (Reprodução)

Uma insurtech quer revolucionar o mercado de investimentos ligados aos seguros (ILS) ao criar uma bolsa para a negociação de riscos que seguradoras e resseguradoras desejem ceder aos mercados de capitais.

Além de facilitar o acesso de investidores a um setor que cresce, mas segue pouco conhecido, a Extraordinary Re também espera que sua plataforma de negociação de riscos seguráveis ajude o mercado a expandir coberturas em segmentos onde a capacidade é limitada, como os riscos cibernéticos.

A Extraordinary Re foi criada há dois anos por um grupo de profissionais do seguro e resseguro com o objetivo de implementar uma maneira inovadora de negociar produtos que atraem cada vez maior atenção de investidores institucionais como hedge funds e fundos de pensão.

Mas as colocações de produtos ILS tendem a ser demoradas e complexas, tardando meses de negociações e ficando limitadas a um número restrito de investidores altamente especializados.

Para ampliar o acesso do mercado, a Extraordinary Re está desenvolvendo uma plataforma de trading que vai funcionar de forma parecida com as das bolsas de valores.

“Nosso plano é permitir que os investidores adquiram ações de riscos seguráveis e em seguida os negociem na plataforma que estamos construindo”, disse Will Dove, CEO da Extraordinary Re, a Risco Seguro Brasil.

Para isso, a insurtech está usando tecnologia licenciada de uma empresa que já atua no setor de bolsas de valores e, segundo Dove, conta com o apoio de resseguradoras, seguradoras e investidores no mercado de ILS. A empresa levantou capital semente no final do ano passado e planeja fazer uma rodada de financiamento com investidores de capital de risco (venture capital) ainda neste ano.

A empresa espera começar a negociar títulos em sua plataforma no ano que vem.

Como funcionará

O primeiro passo do processo, segundo Dove, será firmar um contrato de resseguro tradicional entre a Extraordinary Re e seguradoras ou resseguradoras que queiram ceder parte de seu portfólio de riscos. A empresa está registrada como uma resseguradora nas Bermudas.

Uma vez que estes riscos entrem no sistema, eles serão “fatiados” de acordo com critérios acertados com os investidores e ofertados na plataforma. A Extraordinary Re está desenvolvendo um sistema digitalizado que vai realizar este fatiamento, de acordo com o CEO.

Os participantes serão hedge funds e outros investidores qualificados que estarão previamente registrados na plataforma, direito ganho com a aquisição de um pacote de ações preferenciais da Extraordinary Re.

Uma vez adquirida as ações, o investidor tem direito a uma conta de trading, e receberá dividendos de acordo com os lucros auferidos por esta conta. Eles poderão vender ou comprar riscos ingressados na plataforma, ou negociar entre si títulos já existentes.

“Podemos dizer que é algo similar a uma versão do mercado Lloyd’s para o século 21”, afirmou Dove. “As ações preferenciais adquiridas pelos investidores serão um novo tipo de produto ILS.”

Risco cibernético

Dove disse que uma das virtudes da plataforma será a capacidade de avaliar riscos que hoje o mercado têm dificuldade de precificar devido à falta de estatísticas ou modelos confiáveis.

É o caso, por exemplo, dos riscos cibernéticos, para os quais a capacidade de resseguro segue sendo limitada no mercado global.

“Queremos que a plataforma seja capaz de manejar qualquer tipo de riscos”, disse o executivo. “Mudanças tecnológicas e econômicas estão criando novos tipos de exposições que são fundamentalmente difíceis para que as seguradoras lidem com elas da maneira tradicional. Isso faz com que seja complicado precificar novos produtos.”

A solução oferecida pela Extraordinary Re será permitir que os mercados de capitais decidam o quanto querem pagar por tais riscos. “Vamos propiciar acesso a uma nova base de capital que antes não tinha acesso a riscos seguráveis”, disse Dove. “Os mercados de capitais são muito bons na hora de colocar um preço no risco em ambientes em evolução.”

Desta forma, a plataforma também poderá gerar uma grande quantidade de informações e dados sobre riscos emergentes, como os cibernéticos, que ajudarão o mercado de seguros e resseguros a compreendê-los de maneira mais eficiente.