CASCAS DE BANANA

Indústria dos seguros teme sua própria dificuldade para mudar

Em pesquisa encomendada pela PwC, participantes criticam falta de rebolado na hora de se adaptar a novas tecnologias e hábitos de consumo

07/06/2017 – 18:42
Atualizado em 13/07/2017 – 07:14

A gestão das mudanças tecnológicas e estruturais do mercado é o maior desafio enfrentado pela indústria dos seguros em todo o mundo, de acordo com uma pesquisa encomendada pela consultoria PwC.

O relatório Insurance Banana Skins (As Cascas de Banana do Seguro), que é realizado a cada dois anos, também posiciona os riscos cibernéticos e a adoção de novas tecnologias entre os três principais temas que necessitam a atenção da indústria neste momento.

O resultado reflete o estado de transformação em que os seguros se encontram atualmente. Em 2015, a gestão de mudanças ocupava apenas a sexta colocação do ranking, enquanto os riscos cibernéticos ficaram em quartos, e a adoção de novas tecnologias nem aparecia entre as “cascas de banana” do setor

As preocupações variam dependendo das regiões e setores onde os respondentes estão baseados.

Entre as empresas latino-americanas, por exemplo, a performance dos portfólios de investimentos ficou no topo da lista, quem sabe devido a temores quanto ao modesto desempenho recente das economias da região e, no caso específico do Brasil, o início do ciclo de redução das taxas de juros. Os juros altos salvaram os resultados de muitas seguradoras do país nos últimos anos. Dezoito empresas brasileiras responderam ao questionário.

As seguradoras de vida listaram como maior risco as baixas taxas de juros dos países desenvolvidos, que prejudicam sua capacidade de obter rendimentos capazes de cobrir seus compromissos de longo prazo. Já as de não-vida escolheram as novas tecnologias, e as resseguradoras, as ameaças cibernéticas.

Duro de mudar

As mudanças que preocupam as seguradoras, resseguradoras e corretores dizem respeito não só ao impacto das novas tecnologias, mas também aos novos hábitos dos consumidores.

“São muitos os desafios”, afirma o relatório. “Mercados que se transformam rapidamente, expectativas mais altas dos consumidores e novos canais de distribuição ameaçam o modelo de negócios tradicional do seguro, ao tempo que os atuais incumbentes, freados por antigos sistemas e modos de pensar, têm dificuldade para inovar em um ambiente que não lhes é familiar.”

A falta de rebolado da indústria foi motivo de especial crítica por parte de muitos entrevistados, que usaram termos como “lentidão glacial” para descrever a capacidade do setor de reagir a mudanças.

“O principal risco que a indústria enfrenta é a irrelevância”, alertou um respondente.

Exemplos de novas tecnologias que preocupam o setor incluem os automóveis sem motorista, a internet das coisas, a inteligência artificial e avanços da genética e telemática, entre outros.

Tais mudanças devem atingir tanto a organização das empresas do setor, quanto o seu balanço, já que devem influenciar a frequência e valor dos sinistros sofridos pelos clientes.

No campo comportamental, os participantes dizem que as novas gerações parecem menos dispostas a comprar apólices de seguro, e as empresas do setor não estão conseguindo adaptar seus canais de distribuição aos hábitos destes novos consumidores.

Riscos cibernéticos

Os riscos cibernéticos foram os que receberam o maior número de avaliações máximas de severidade dos participantes e estão no topo da lista em todas as regiões pesquisadas.

A única exceção foi a China, onde os participantes da pesquisa avaliaram o risco cibernético como uma ameaça pouco importante em seu mercado.

Vários respondentes disseram que é só uma questão de tempo até que alguma seguradora seja alvo de um grande ataque de hackers, com um impacto catastrófico no mercado.

Os principais focos de preocupação são o roubo de dados de clientes e o sequestro dos sistemas, além da contaminação dos bancos de dados das empresas do setor e o furto de propriedade intelectual.

E isso sem começar a falar sobre a dificuldade do mercado em fornecer coberturas de risco cibernético a seus clientes e as elevadas perdas que o setor pode sofrer em indenizações em caso de um evento cibernético catastrófico.

O terceiro principal risco também está envolvido com tecnologia. Os respondentes expressaram preocupação quanto à capacidade do setor de modernizar seus sistemas. Entre os seguradores não-vida, a possibilidade de defasagem tecnológica foi a “casca de banana” que ficou em primeiro lugar no ranking.

O estudo foi realizado pelo Centro para o Estudo das Inovações Financeiras, CSFI na sigla em inglês, um think tank sediado em Nova York, a pedido da PwC. Clique aqui para baixar o estudo em inglês.