NEGÓCIOS DO BEM

Governança e meio ambiente já influenciam a subscrição de riscos

Pesquisa da Moody’s mostra preocupação crescente com fatores ESG, cuja presença já não se limita às políticas de investimento das seguradoras

25/05/2018 – 09:50
Atualizado em 10/07/2018 – 19:49
Desmatamento na Amazônia Legal: as seguradoras estão de olho. (Foto: Cristiano Martins/ Ag. Pará)

Desmatamento na Amazônia Legal: as seguradoras estão de olho. (Foto: Cristiano Martins/ Ag. Pará)

Considerações sobre governança, meio ambiente e temas sociais exercem uma crescente influência sobre as estratégias de negócios das seguradoras e resseguradoras, determinando cada vez mais suas políticas de investimento e até mesmo de subscrição.

É o que mostra uma pesquisa feita pela agência de avaliação de crédito Moody’s com grandes grupos (re)seguradores europeus.

A pesquisa mostra como a preocupação com a economia sustentável chegou aos conselhos das empresa do setor e está tendo um efeito crescente sobre suas decisões.

A avaliação dos chamados temas ESG (Environment, Social and Governance, ou meio ambientais, sociais e de governança) já vem sendo sentida há tempos nas políticas de investimentos de subscritores, muitos dos quais têm procurado evitar setores intensivos em emissões de carbono, produtores de armas e fabricantes de bebidas alcoólicas, entre outros, em seus portfólios.

Mas agora os fatores ESG também estão influenciando as decisões de vendas de coberturas tomadas pelas empresas.

Um exemplo aconteceu em maio, quando a alemã Allianz anunciou que já não venderia apólices de seguros a produtoras de carvão.

Antes, em fevereiro, a americana Chubb anunciou o cancelamento de um programa de subscrição de seguros para os associados da NRA, a associação nacional das armas de fogo americana, após polêmica gerada pela matança de estudantes em uma escola secundária na Flórida.

Na pesquisa da Moody’s, 53% dos participantes disseram que os fatores ESG são estratégicos para a empresa. Outros 41% afirmaram que são importantes, ainda que não estratégicos.

Da mesma maneira, 86% disseram que a adoção de critérios ESG é parte importante ou muito importante na construção do brand da companhia.

Em expansão

A pesquisa foi realizada na Europa, mas muitas das empresas participantes possuem subsidiárias no Brasil, com participação importante no mercado de seguros comerciais.

Executivos de unidades brasileiras, em realidade, vêm sofrendo pressões de suas casas matrizes para levar temas ESG em consideração na definição, por exemplo, das políticas de investimento.

Isso cria desafios porque há no Brasil uma escassez de ativos que respondem a restritos critérios ESG.

A tendência não deve ser revertida, porém. Segundo a Moody’s, 73% das (re)seguradoras entrevistas já aplicam mais de três quartos de seus portfólios de acordo com critérios ou benchmarks ligados a temas ESG.

A mesma parcela respondeu que já parou de investir em setores que emitem muito dióxido de carbono, como as empresas petroleiras, além de outros segmentos específicos.

Por outro lado, nenhuma disse que esta sempre foi uma estratégia da empresa, o que indica que as decisões são relativamente recentes e estão se disseminando.

Subscrição

Ainda mais recente, porém, é a influência de fatores de governança, meio ambiente e temas sociais nas políticas de subscrição de riscos.

Dos entrevistados, 46% disseram que temas ESG terão um impacto moderado sobre seu risco de subscrição, e 31%, que o impacto será elevado.

As mudanças climáticas são o principal fator temido pela indústria, que vê a possibilidade de que tendências de longo prazo, como uma maior incidência de secas, incêndios florestais e ciclones tropicais, afetem seus portfólios de riscos.

Outro tema importante é o envelhecimento da população, particularmente no que diz respeito às empresas de seguro de vida e saúde.

Mas as seguradoras também estão cada vez mais prestando atenção no efeito que seus potenciais clientes têm sobre tais fatores. Um terço das entrevistadas disse à Moody’s que está considerando adotar políticas que proíbem a venda de coberturas a determinados tipos de riscos ou projetos que não se encaixam com os critérios ESG.

Um número ainda maior, 42%, afirmou já ter implementado políticas neste sentido.