NOVOS PERIGOS

Gestor de risco deve ter papel central contra ameaças cibernéticas

Presidente da francesa AMRAE diz que principal ameaça para as empresas é não tirar proveito das oportunidades criadas por novas tecnologias

Rodrigo Amaral, em Deauville (França)
01/02/2017 – 21:37
Atualizado em 15/03/2017 – 08:24
Brigitte Bouquot

A presidente da AMRAE, Brigitte Bouquot, discursa na abertura da conferência. (Foto: Divulgação)

Os gestores de risco devem assumir um papel de liderança em suas empresas para enfrentar os riscos cibernéticos e outros temas ligados às novas tecnologias, segundo uma das principais representantes europeias da profissão.

Brigitte Bouquot, presidente da AMRAE, a associação de gestão de riscos da França, convocou os profissionais do setor a ganhar espaço em suas empresas mostrando “liderança” em temas como os riscos cibernéticos e providenciando uma visão estratégica sobre o tema para os conselhos de direção.

Ela também afirmou que o mercado de seguros está trabalhando duro para oferecer soluções de transferência deste risco, mas que elas ainda seguem sendo uma mistura “barroca” de produtos e serviços.

“Em um mundo em que a conectividade entre as organizações está aumentando de forma exponencial, a gestão de riscos é global, e os gestores de riscos (ocupam um lugar) central”, disse Bouquot em discurso proferido na abertura da 25ª edição dos Rencontres de l’AMRAE, a reunião anual dos gestores de riscos franceses, em Deauville, no norte da França.

“Gestão de risco, neste caso, não é algo que podemos impor: é algo que temos que conquistar”, acrescentou ela, observando que isto se faz mostrando liderança na hora de enfrentar os novos desafios das organizações.

Riscos e oportunidades

O encontro anual da AMRAE é um dos principais eventos do setor em todo o mundo, ficando atrás apenas do americano RIMS em termos de presença de público e de companhias do setor.

Neste ano, os riscos cibernéticos e novas tecnologias como a biotecnologia e a nanotecnologia ocupam lugar de destaque no evento, que celebra em 2017 um quarto de século de existência.

O tema ganhou relevância ainda maior com os efeitos que as redes sociais e as chamadas “verdades alternativas” tiveram nas recentes eleições americanas e na difusão de ideologias contrárias à globalização.

A própria França enfrenta eleições presidenciais e legislativas em 2017, e partidos contrários à globalização, como a Frente Nacional de Marine Le Pen, estão ganhando espaço nas pesquisas de intenção de votos.

Em seu discurso de abertura, Bouquot ressaltou que, quando a AMRAE começou a organizar os encontros, não havia nem sinal dos riscos tecnológicos que as empresas estão enfrentando hoje.

Mas ela também lembrou que as novas tecnologias também trazem grandes oportunidades para as empresas, e que o principal risco que elas enfrentam é não ter a capacidade de aproveitar tais oportunidades.

Uberização da profissão

Os próprios profissionais de riscos podem ter de enfrentar a ameaça de se tornar obsoletos devido ao surgimento de atores que rompem com os modelos de negócios em seu campo de atuação.

“Precisamos ter cuidado para não ser ‘uberizados’ pelos sistemas preditivos que visam causar um curto-circuito nas atividades de gestores de riscos e seguradores”, disse Bouquot, que também é a chefe de gestão de riscos e seguros da gigante de defesa Thales.

Mas ela também expressou uma visão otimista do papel que os gestores de riscos podem desempenhar no seio das organizações e da sociedade como um todo, como resultados das transformações que estão ocorrendo atualmente.

“Vendo o quadro mais amplo, a gestão de riscos é uma das forças positivas que estão unindo interesses macro e micro, ao reconciliar (os interesses de) acionistas e empregados, consumidores e eleitores”, afirmou a presidente da AMRAE.