NAU À DERIVA

Falência das instituições de governo preocupa as empresas no Brasil

Pesquisa do Fórum Econômico Mundial coloca desemprego como segundo maior risco, seguido de carências da infraestrutura

27/09/2017 – 10:39
Atualizado em 16/10/2017 – 04:54
Ocupação militar na Rocinha

Ocupação militar na Rocinha é exemplo de falência da governança (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil).

A possibilidade de falência das instituições do Estado constitui o maior risco enfrentado pelas empresas brasileiras nos próximos dez anos, de acordo com pesquisa realizada pela corretora Marsh, a seguradora Zurich e o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês).

O risco, refletido em fatores como a Operação Lava Jato e o caos da segurança no Rio de Janeiro, foi o mais mencionado por executivos de empresas entrevistados pelos autores da pesquisa, que é realizada anualmente.

O segundo principal risco foi a alta taxa de desemprego no país, seguida pela inadequação da infraestrutura para as necessidades da economia.

O grupo das cinco principais ameaças enfrentadas pelas empresas é completado pelo risco de crise fiscal e de colapso do Estado, o que mostra que a ação – ou inação – dos variados níveis de governo é vista pelo empresariado como o principal obstáculo aos negócios.

Os dois primeiros fatores também lideram o ranking dos riscos apontados pelos empresários de toda a América Latina consultados pelos autores.

No mundo inteiro, porém, o alto nível de desemprego ocupa o topo do ranking, seguido pela precária situação fiscal dos governos e, em terceiro lugar, pelo risco de falência das instituições de governo.

Diferenças por país

A pesquisa foi realizada junto a 12.411 executivos de 136 países.

Os entrevistados foram questionados sobre os principais riscos que podem afetar sua capacidade de fazer negócios em seus países.

Cada respondente podia escolher cinco alternativas, com as mais citadas subindo ao topo do ranking.

Os resultados mostram interessantes variações de país a país. Nos Estados Unidos, por exemplo, os executivos apontaram a possibilidade de grande ataques cibernéticos como o risco mais premente.

Em seguida aparecem os riscos de ataques terroristas e de bolhas financeiras. A situação fiscal do Estado e a adaptação às mudanças climáticas fecham o top 5.

No Leste da Ásia e Oceania, os grandes ataques cibernéticos também são o risco que mais tira o sono dos executivos, seguidos pela bolha financeira, o que possivelmente se deve, ao menos em parte, aos temores ligados à impressionante expansão do crédito na China nos últimos anos.

Já na Europa, prevalecem o desemprego, a falência de governança e as crises fiscais. A possibilidade de que grandes grupos financeiros quebrem vem em quarto lugar e os ataques cibernéticos, em quinto.

Terrorismo

Vale notar que o risco de um choque nos preços de energia ficou na quarta colocação no ranking global,  enquanto que a instabilidade social veio em quinto.

Já o risco de conflitos entre países, que tem ganhado as manchetes com a troca de farpas entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Coréia do Norte, Kim Jong-un, pegou apenas a nona colocação.

Se os ataques terroristas são uma prioridades nos Estados Unidos, no conjunto dos países fica apenas em décimo lugar, não ocupando nem mesmo um ponto entre as cinco maiores ameaças na Europa, que foi alvo de vários ataques nos últimos dois anos.

O terrorismo foi, porém, o segundo risco mais citado na França e na Alemanha, dois países que sofreram ataques de grande repercussão no ano passado.