CRISE SEM FIM

Crescimento de mercado não-vida no Brasil é 4º pior do mundo

Apenas Equador, Argentina e Nigéria têm variação de prêmios inferior aos -4,9% do mercado brasileiro, mostra estudo da Swiss Re

05/07/2017 – 14:09
Atualizado em 04/08/2017 – 06:49

O mercado brasileiro de seguros não-vida teve um dos piores desempenhos do undo em 2016, de acordo com análise comparativa realizada pela Swiss Re.

A comparação com o desempenho de outros países ajuda a colocar no contexto adequado as visões eternamente otimistas  expressadas pelas associações setoriais do Brasil.

De acordo com o levantamento da Swiss Re, o volume de prêmios não-vida no mercado brasileiro caiu 4,9% no ano passado, uma vez descontado o efeito da inflação. Em 2015, a retração fora de 2,6%.

O mercado local fechou o ano com R$ 110 milhões em prêmios não-vida, após registrar um crescimento nominal de míseros 3,5%.

A variação no volume só não foi pior na América Latina do que no Equador, cuja economia foi fortemente afetada por um devastador terremoto em 2016, e na Argentina, onde o setor de seguros e resseguros, a exemplo da economia como todo, passou por uma série de reformas para desfazer distorções causadas pelos governos Kirchner.

No Equador, a variação do mercado, em termos reais, foi de -33,4%. Na Argentina, de -15%. No resto do mundo, apenas a Nigéria, onde os prêmios não-vida caíram 12,2% no ano passado em termos reais, conseguiu ter um desempenho pior que o brasileiro.

Longo caminho pela frente

Ao todo, incluindo os seguros de vida e saúde, o mercado brasileiro cresceu 1,1% em termos reais no ano passado.

Apenas Equador (-28.7%), Argentina (-16,8%), Peru (-7,5%) e Panamá (-0,2%) apresentaram resultados mais fracos na América Latina.

A análise feita pela Swiss Re também mostra que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer antes de poder ser considerado um mercado de seguros desenvolvido.

A penetração dos prêmios de seguros no país chega a 4,04% do PIB, o que vale ao Brasil a 41ª colocação no mundo. Considerando todos os países avaliados, a penetração média é de 6,28%.

Considerando apenas os prêmios não-vida, a penetração chega a 1,76% do PIB, comparado com uma média global de 2,81%.

A Swiss Re também observa que o mercado está sofrendo com a difícil situação econômica e a incerteza política que prevalecem no país, e, do lado positivo, prevê melhores desempenhos para o setor no Brasil no longo prazo.

Mercados emergentes

Apesar do pífio desempenho do mercado brasileiro, a Swiss Re afirma em seu relatório que os mercados emergentes continuam sendo o principal motor de crescimento do setor segurador em todo o mundo.

O volume de prêmios não-vida aumentou 3,7% no ano passado, comparado com 4,2% em 2015.

Países como a China, onde os prêmios não-vida cresceram 20%, Turquia (20,5%), Polônia (14.8%) e Índia (12,9%) puxaram a performance global.

Em conjunto, os países emergentes registraram um crescimento de 9,6% nos seguros não-vida, contra 2,3% nas economias avançadas.

Mas, enquanto o ritmo de crescimento de prêmios nas economias avançadas foi algo superior ao da média dos últimos dez anos, nos países emergentes houve algo de desaceleração em 2016, na comparação com a década anterior, observou a Swiss Re.

Em termos globais, os seguros não-vida superaram o desempenho das linhas de vida, que expandiram 2,5% no ano passado.

Contando todos os tipos de seguro, a expansão do volume de prêmios globais chegou a 3,1%.