ARTIGO

Controle de riscos do seu negócio: você desconhece ou gerencia?

Presidente da Travelers no Brasil analisa a presença da gestão de riscos em pequenas e médias empresas no país: “O risco mais grave de todos é não saber quais são os riscos lá fora e não ter um plano para gerenciá-los”.

por Leonardo Semenovitch*
14/02/2017 – 18:34
Atualizado em 15/03/2017 – 20:32
Leonardo Semenovitch, presidente da Travelers no Brasil
Leonardo Semenovitch, presidente da Travelers no Brasil.

Abrir uma empresa já é, por si só, um grande risco. Mas muitos empresários são otimistas e tendem a enxergar ameaças como algo muito difícil de ocorrer, prestando pouca atenção ao gerenciamento de ataques cibernéticos, danos à propriedade, interrupções de negócios e outros incidentes que poderiam colocar sua atividade em perigo. Ter uma falsa sensação de segurança, bem como pouca experiência em gestão de risco, pode levar à falta de planejamento que poderia resultar em sérias consequências para qualquer pequena e média empresa (PME).

Vamos utilizar um exemplo: uma fábrica possui uma máquina vital, por onde passa toda a sua produção. Inesperadamente, a máquina quebra e precisa de uma manutenção de emergência. Os trabalhadores descobrem que não há a peça de reposição correta em estoque para repará-la. Como a máquina foi importada, uma nova peça deve ser enviada com grande custo, criando atrasos de produção que causam uma perda financeira significativa para a companhia.

Este tipo de problema pode acontecer a qualquer fábrica, e há inúmeros outros exemplos que podem trazer perdas imprevistas para as empresas em todas as indústrias. Esta é a razão para que muitas companhias de grande porte tenham seus próprios gerentes de risco e recursos para planejar o inesperado. Saber como lidar com tempos de crise imprevistos, grandes e pequenos, é essencial para a sustentabilidade de uma empresa.

Mesmo que muitas PMEs não tenham este conhecimento, existem recursos, como corretores de seguros e operações específicas, que podem ajudá-las a identificar seus riscos particulares e estabelecer um plano para mitigar perdas caso algo dê errado. Corretores e seguradoras podem fornecer orientação sobre a gestão da maioria dos riscos de quatro maneiras: Retenção de Risco, onde a empresa contribui com a equidade para compensar os riscos inerentes; Transferência de Risco por meio de, por exemplo, programas de seguros; Eliminação de Risco; e Mitigação de Riscos.

Como a maioria das PMEs possui pouco capital para investir em minimização de perdas devido a riscos inerentes, ou se auto segurar, obter a apólice de seguro apropriada torna-se ainda mais importante. Algumas empresas brasileiras podem estar reduzindo as apólices de seguro e a implementação de programas de segurança para cortar custos e aumentar a receita de curto prazo. Porém, não ter um plano de gestão de risco adequado pode levar a perdas financeiras, ações judiciais, perda de participação de mercado e até mesmo suspensão das atividades da empresa — algo que a maioria das PMES não pode pagar.

Os conselhos oferecidos por seguradoras e corretores podem ajudar empresas de qualquer tamanho a monitorar melhor suas exposições e tomar as medidas necessárias para gerenciar riscos. A utilização desses recursos e a priorização da gestão de riscos é uma abordagem estratégica que pode auxiliar no sucesso e na viabilidade a longo prazo das empresas. O risco mais grave de todos é não saber quais são os riscos lá fora e não ter um plano para gerenciá-los.

*Leonardo Semenovitch, é diretor-presidente da Travelers Seguros no Brasil.