SEGURANÇA PRECÁRIA

Consultoria vê Brasil como ‘alto risco’ de crimes violentos

Verisk Maplecroft coloca país na 31ª colocação em ranking; México, em terceiro, é visto como risco mais elevado de crime que Síria ou Iraque

02/12/2016 – 13:14
Atualizado em 19/12/2016 – 08:42
Desaparecimentos forçados são comuns no México, país considerado de risco extremo. (Foto: Tomaz Silva/Agencia Brasil)

Desaparecimentos forçados são comuns no México, país considerado de risco extremo. (Foto: Tomaz Silva/Agencia Brasil)

O Brasil fez progressos na luta contra o crime nas grandes cidades, mas continua implicando um “alto risco” de crimes violentos, segundo uma consultoria de risco internacional.

O país ocupa a 31ª colocação no ranking dos países de maior risco de crimes violentos elaborado pela Verisk Maplecroft e divulgado no início de dezembro.

O ranking é liderado pelo Afeganistão, seguido da Guatemala e do México. A América Latina aparece como a região mais perigosa do mundo, de acordo com a empresa.

No caso do Brasil, a Verisk Maplecroft diz que houve sucesso nos últimos anos na redução das altas taxas de criminalidade nas grandes cidades brasileiras.

“No entanto, sua posição como o segundo maior mercado consumidor de cocaína das Américas e como uma rota chave para os narcóticos produzidos no Peru, Bolívia e Paraguai fazem com os níveis de criminalidade sigam altos”, afirma a empresa.

A consultoria também alerta que a profunda recessão em que o Brasil se encontra tem gerado cortes em investimentos em segurança pública que podem resultar na reversão dos avanços feitos nos últimos anos.

“Isso poderia habilitar os grandes grupos de crime organizado do país, que também estão envolvidos em extorsões e sequestros, a recuperar parte do terreno perdido, incluindo nas favelas do Rio e São Paulo”, afirma a Verisk Maplecroft.

Vizinhança perigosa

Dos 13 países considerados de “risco extremo” no ranking da consultoria, que presta serviços a empresas internacionais, seis estão localizados na América Latina, consolidando a região como a mais perigosa do planeta.

São eles Honduras (6º), Venezuela (7º), El Salvador (8º) e Colômbia (12º), além da Guatemala e do México.

Até mesmo o Iraque (4º) e a Síria (5º), países que vivem ferozes guerras civis, implicam um risco menor de crimes violentos do que o México e a Guatemala. A empresa estima que a criminalidade custa US$ 200 bilhões ao ano para as economias do México e da América Central.

A taxa de homicídios no México chega a 17 por 100.000 habitantes, afirma a Maplecroft, enquanto houve 26.000 desaparições forçadas no país desde 2007.

A empresa também nota que Caracas, na Venezuela, ganhou recentemente o nada invejável título de cidade mais violenta do mundo.

Já a categoria de “alto risco”, na qual o Brasil está incluído, também abrange a Argentina, o Paraguai e o Peru, além da Rússia, Índia e África do Sul.

O quinto membro dos Brics, a China, obtém a classificação de “risco médio”, compartilhada por países europeus como a Itália e a Grécia.