NEGÓCIO DE RISCO

Concentração e seleção diminuem alternativas, diz presidente da ABGR

Segundo Cristiane França Alves, alguns setores sofrem com “riscos declináveis” por parte das seguradoras

Oscar Röcker Netto
03/11/2016 – 05:07
Atualizado em 04/11/2016 – 10:12
Cristiane França Alves, presidente da ABGR.
Cristiane França Alves, presidente da ABGR.

A concentração de mercado e, em muitos casos, políticas restritivas de seleção de riscos das seguradoras complicam o trabalho de gestão de risco, segundo a presidente da Associação Brasileira de Gerenciamento de Riscos (ABGR), Cristiane França Alves.

A situação pode ser resumida por: 1) há concentração do mercado em poucas seguradoras em ramos dos seguros corporativos; e 2) elas podem declinar de cobrir determinados riscos que consideram muito altos dentro de suas estratégias comerciais.

Quando isso acontece, o gestor de risco pode ficar na delicada posição de não conseguir contratar um seguro de que precisa ou então ter de fechar apólice com uma seguradora que não seria sua primeira escolha (mas que atua num nicho evitado por outras).

A situação é mais generalizada em alguns setores econômicos — como as indústrias madeireira, química e têxtil —, considerados de alto risco, elenca a presidente. “Às vezes, as seguradoras nem olham para as empresas desses setores; e há muitas que fazem boa gestão de riscos.”

Segundo Alves, mesmo seguros de contratação obrigatória, devido à legislação da área em que a empresa atua, podem ser difíceis de contratar.

Nesses casos, fazer parte de um grupo forte ajuda, já que haverá uma série de outros seguros que interessam à seguradora no programa. Dessa forma, pode-se pressionar pela contratação de alguma apólice que a seguradora preferiria declinar, explica Alves.

O cenário descrito pela presidente da ABGR ajuda a explicar em parte, por exemplo, o fato de que mesmo seguradoras em dificuldades de solvência continuarem emitindo prêmios. Outras razões seriam o desconhecimento da situação da seguradora por parte do comprador ou a opção de assumir o risco contratando o seguro.

“Às vezes, o comprador fica sem opção. Mas é importante que a contratação do seguro seja feita com o gestor tendo acesso a todas as informações”, diz Cristiane Alves. “A função do gestor de risco é afastar aquilo que é ameaça para o negócio da empresa. Se eu estou fazendo seguro para cobrir perdas financeiras por causa de um acidente ou de outro evento, é preciso saber se quem vai me indenizar está com a saúde financeira em dia.”

Menos players

Com essa situação, o movimento de concentração do mercado de seguros tende a ser negativo para os compradores de proteção, avalia ela. “O mercado está se fechando mais, com um número menor de competidores”, diz Alves. “Em pouco tempo, aqui no Brasil de três restou uma”, exemplifica ela, citando o caso de negócios envolvendo Ace, Chubb e Itaú.

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