CENÁRIO

Com risco político ‘médio’, Brasil pode sair mais forte da crise, diz Aon

Corretora avalia que panorama continua a melhorar; Congresso fragmentado e prosseguimento das investigações de corrupção são ameaças ao governo

Oscar Röcker Netto
17/10/2016 – 13:01
Atualizado em 27/10/2016 – 05:38
Deputados comemoram a aprovação da PEC 241: vitória do governo. ( Foto: Lula Marques/Fotos Públicas)

Deputados comemoram a aprovação da PEC 241: vitória do governo. ( Foto: Lula Marques/Fotos Públicas)

Concluído o afastamento da presidente Dilma Roussef (PT) e com as primeiras semanas de governo efetivo de Michel Temer (PMDB), o risco político está mais brando no Brasil, de acordo com a corretora Aon.

O relatório de análise da área, referente ao terceiro trimestre do ano, encerrado em setembro, diz que o panorama continua a melhorar, quadro complementado com a avaliação de que o pior da recessão econômica já passou. “O Brasil pode muito bem sair mais forte da crise”, pondera o documento.

De acordo com a Aon, no entanto, para investidores de longo prazo o risco político prossegue num nível “médio”, nota que vem sendo mantida ao longo dos trimestres mesmo com as intensas movimentações recentes na política.

A corretora ressalta que “os persistentes desafios no ambiente de negócios e as dificuldades para remediar anos de intervenção governamental excessiva na economia” continuam no horizonte.

Outros problemas são o Congresso “ainda fragmentado” e o prosseguimento das investigações de corrupção, cujos resultados podem “quebrar a coalizão governista” e implicar o próprio novo presidente, situação que cria um cenário de ameaça potencial ao governo.

Embora o nível geral de risco político seja “médio”, algumas áreas ficam um degrau acima no campo das preocupações. A categoria “médio-alta” se aplica para a possibilidade de interferência na economia e para regulamentação, bem como para o risco de interrupção de cadeias de suprimentos — risco mantido pela má qualidade de estradas, ferrovias e portos do país.

De qualquer forma, o estudo avalia que a gestão Temer, efetivada em 31 de agosto, está em melhores condições de implementar reformas estruturais e fiscais de que o país “necessita tanto” para melhorar o quadro geral.

Economia

O estudo da corretora afirma que a volta do crescimento a partir de 2017 dependerá principalmente da capacidade de o governo federal implementar reformas.

Depois que o trabalho foi concluído, o governo obteve sua mais importante vitória política desde que Temer assumiu definitivamente a presidência da República. A PEC 241 (proposta de emenda constitucional), que estabelece teto para gastos públicos por 20 anos, foi aprovada em 10 de outubro por larga margem de votos dos deputados — o texto ainda precisa ser aprovado em segunda votação.

Outra medida considerada importante, no entanto, não teve o mesmo sucesso. Sem consenso, o projeto que prevê alterações na lei de repatriação de recursos mantidos no exterior ainda não foi à votação.

E a vitória na PEC vai demandar novas investidas do governo. Segundo analistas, a PEC engedra a necessidade de se aprovar a reforma da Previdência, à qual o governo Temer promete esforços, mas que demandará um trabalho árduo e provavelmente mais complicado, haja vista a tendência de gerar resistências de vários setores organizados da sociedade.

E o resto do mundo?

Na América Latina, apesar de alguns problemas na Argentina, a Aon considera que a Venezuela foi a única “fonte notável de deterioração” do risco político no terceiro trimestre deste ano. A violência com causas políticas é elevada e crescente, e a oposição tenta tirar o presidente Nicolas Maduro do poder, mas sem ter suporte suficiente para isso, aponta o relatório.

Considerando o cenário global, a Aon informa que quatro países apresentaram quadro de deterioração do risco político no terceiro trimestre.

São eles o Azerbaijão (que passou para risco “médio-alto” com o aumento da violência de conflitos regionais, principalmente com a Armênia), Djibuti (“alto” risco, em decorrência do aumento do fluxo de refugiados do Iêmen e de conflitos na vizinha Somália), Kuait (“médio” risco, pelo enfraquecimento das finanças do governo em meio a ajustes no preço do petróleo) e Zimbábue (“alto” risco, decorrente de instabilidade política e dificuldades fiscais).

O mapa dos riscos políticos globais é feito pela Aon em parceria com o instituto do economista Nouriel Roubini. A escala inclui: baixo, médio-baixo, médio, médio-alto, alto e muito alto.

Clique aqui para acessar o portal sobre riscos políticos globais da Aon (em inglês)

 

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