PERSPECTIVAS

Coface espera crescer com maior percepção de risco de calote

Marcele Lemos, presidente da empresa no Brasil, projeta aumento em prêmios de 15% em 2017 e 20% nos anos seguintes

11/05/2017 – 08:20
Atualizado em 15/06/2017 – 13:06
Marcele Lemos, presidente da Coface no Brasil,

Marcele Lemos, presidente da Coface no Brasil, espera economia melhor a partir de setembro. (Foto: Divulgação)

A Coface espera crescer 15% em 2017 e cerca de 20% nos anos seguintes graças à recuperação da economia brasileira, uma política de subscrição cautelosa e o lançamento de novos produtos e serviços.

Mas a seguradora francesa também espera que o mercado se desenvolva graças a uma nova percepção do risco de crédito por parte de empresas que sofreram calotes nestes últimos anos.

Conhecida pelas análises de risco-país que faz para seus clientes multinacionais, a Coface pinta um cenário mais positivo para a economia brasileira, o que permite à empresa planejar a expansão de seus negócio no país.

“A economia pelo menos não está pior do que no ano passado”, disse Marcele Lemos, presidente da Coface no Brasil. “Já se consegue ver alguns sinais que transmitem um otimismo moderado, e esperamos que a situação vai melhorar principalmente a partir de setembro.”

A recuperação da economia, no entanto, não é o único fator que alimenta os planos da seguradora francesa. Lemos tem notado um aumento do interesse das empresas por seguros de crédito após terem sofrido com a falta de pagamento de parceiros comerciais durante a recessão.

“Muitas empresas que antes não utilizavam o seguro de crédito hoje estão buscando esta solução”, disse Lemos. “Antes, um empresário dizia que não precisava do seguro porque já trabalhava com um cliente havia muitos anos, e ele nunca lhe havia deixado de pagar. Mas a crise mostrou que muitas vezes, mesmo que os clientes queiram pagar suas dívidas, eles acabam não tendo como pagá-las.”

Cautela

Hoje o mercado de seguro de crédito soma aproximadamente R$ 300 milhões em prêmios, de acordo com a executiva. “É ainda um volume muito pequeno”, avalia ela, notando porém que a nova percepção do risco de crédito já ajudou o volume de prêmios a crescer 18% no ano passado.

O segmento foi fortemente afetado pela crise econômica, com a sinistralidade chegando a cerca de 140% em todo o mercado no final de 2015.

Com o volume de recuperações judiciais atingindo patamares recordes no passado, de acordo com o Serasa, as seguradoras de crédito se tornaram mais criteriosas e seletivas nos riscos que tomam.

A Coface, por exemplo, reduziu os níveis de sinistralidade de 135% em 2015 para 63% no final de 2016.

“No ano passado, decidimos focar na manutenção dos nossos atuais clientes, e só tentar novos negócios com muita cautela”, afirmou Lemos. “Procuramos não acrescentar mais riscos nos setores que haviam sido mais fragilizados pela crise.” Indústrias que continuaram a ser clientes atrativos para as seguradoras de crédito mesmo durante a crise incluem o farmacêutico e a alimentação, afirmou.

“Além disso, reforçamos a nossa área de coleta de informações e melhoramos o monitoramento do mercado, que são ferramentas que nos permitem alertar aos clientes sobre o risco de perdas. Também reforçamos a nossa equipe de subscrição, e com isso conseguimos manter a nossa carteira mais controlada e voltar a ter lucro em 2016”, acrescentou a executiva.

Soluções

Para atrair novos clientes, a Coface oferece serviços já tradicionais de sua carteira, como um serviço de cobranças tanto no Brasil quanto no exterior.

Além disso, está procurando deixar claro para os potenciais clientes que o seguro de crédito não é útil só na eventualidade de um calote. “Estamos vendo muitas empresas usar o seguro de crédito para adiantar recebíveis”, disse Lemos. “O segurado pode vender os recebíveis de uma operação de venda ao banco e usar o seguro de crédito como garantia.”

Ela também promete trazer inovações tecnológicas para o mercado brasileiro. Um exemplo que já está sendo oferecido no Brasil é um aplicativo através do qual um cliente pode fazer solicitações de limites de crédito e receber uma resposta imediata a respeito da capacidade disponível.

Logo a Coface também deve lançar no Brasil uma modalidade simplificada de seguro de crédito chamada TradeLiner que já está disponível em outros mercados. “O cliente vai poder contratar uma apólice somente para falência ou recuperação judicial, por exemplo”, explicou Lemos. “Será possível escolher qual o tipo de risco de crédito que a apólice vai cobrir.”

Entre os desafios que o segmento enfrenta encontra-se a alta taxa de informalidade das empresas em algumas partes do país, o que dificulta a coleta das informações financeiras necessárias para avaliar os riscos que a seguradora está tomando.

A Coface está no Brasil com sua marca própria, através da qual vende coberturas de seguro de crédito interno, e da Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação, SBCE, na qual o grupo francês possui uma parcela de 75% do capital.