RAIO X GLOBAL

Brasil fecha 2016 como 15° maior mercado de seguros

Apesar de retração da economia no ano passado, país sobe 8 posições em uma década; em todo o mundo, volume de prêmios cresceu 4,4%

15/03/2017 – 08:13
Atualizado em 13/04/2017 – 06:48

Apesar de apresentar uma redução no ritmo de crescimento, o Brasil fechou 2016 como o 15o maior mercado de seguros do planeta em volume de prêmios, segundo a Allianz.

Estimativas da empresa indicam que o mercado brasileiro chegou a €47 bilhões no fim de 2016, o equivalente a quase R$ 160 bilhões.

Com isso, o mercado brasileiro avançou oito posições no ranking global na última década. De acordo com a Allianz, o país era o 23o maior mercado do mundo em 2006.

Segundo a empresa alemã, os maiores mercados do mundo são os Estados Unidos, com €1,125 trilhão em prêmios, o Japão, com €399 bilhões, e a China, com €365 bilhões (ver ranking no gráfico acima).

A classificação do Brasil muda muito, porém, quando se mede o volume de prêmio de seguros por habitante, quando o país aparece distante das primeiras colocações.

Neste ranking, a liderança pertence a Hong Kong, com €6.410 por habitante, seguido pela Suíça, com €5.200, e a Dinamarca, com €4.470.

Considerando a população de 206 milhões estimada pelo IBGE no ano passado, o volume de prêmios per capita no Brasil se resume a menos de €230. Isso coloca o Brasil bem longe do ranking dos 20 principais mercados do mundo, mas também indica o grande potencial de crescimento para a indústria seguradora no país.

Entre os maiores mercados do planeta, o Brasil é o que tem a mais baixa taxa de penetração, com 2,9% do PIB. Nos Estados Unidos, a proporção chega a 6,7%, e na China, a 3,6%.

Negócio da China

A Allianz calcula que o volume global de prêmios de seguros aumentou 4,4% em 2016, o que estaria dentro das expectativas de longo prazo do setor, apesar de uma leve desaceleração na comparação com 2014 e 2015.

O volume global de prêmios teria chegado portanto a mais de €3,65 trilhões.

Mas o número pode ser algo enganoso, segundo a empresa, já que boa tarde deste crescimento se deve ao forte desempenho do mercado chinês.

A Allianz nota que, dos €150 bilhões de prêmios adicionados ao mercado global no ano passado, cerca de €70 bilhões foram acumulados na China.

Sem a China, o desempenho do setor é bem menos impressionante, uma vez que o crescimento global teria se resumido a 2,7%.

A influência chinesa é especialmente marcante nos ramos de seguros de vida, em que o crescimento global de 4,7% teria se resumido a 2,3% sem o impulso dado pelo mercado chinês. O setor de seguros de vida cresceu cerca de 30% na China em 2016.

E o processo de expansão está apenas começando. Segundo a Allianz, os €170 que cada chinês gasta por ano em seguros de vida estão muito abaixo dos padrões dos países desenvolvidos.

No Brasil, os prêmios de seguros de vida, calculados em euros, caíram 2,1% no ano passado, diz a Allianz.

Retração europeia

A Allianz observa que em economias emergentes como a Índia, a Indonésia, a Rússia e Turquia, os prêmios de seguros estão se expandindo a um ritmo de dois dígitos, o que ajudou a manter o crescimento global no ano passado.

No Brasil, o volume de prêmios, medido em reais e incluindo planos de pensão, aumentou 9,2%, segundo a CNSEG.

O setor também está crescendo de maneira saudável nos Estados Unidos. Na direção oposta vão os mercados europeus, que se retraíram no ano passado pela primeira vez desde 2012.

A Allianz estima que os prêmios medidos em euro baixaram 1,2% na Europa ocidental. Na Polônia e na República Checa, a queda já dura quatro anos.

Outro país em que os prêmios diminuíram em 2016 foi a Austrália.

Bens e responsabilidades

Pelos cálculos da Allianz, os mercados latino-americanos cresceram quase 5%, patamar comparável com o da América do Norte.

Mas a região se destacou no que diz respeito aos seguros de bens e responsabilidades (P&C no jargão do setor), que se expandiram quase 12% nos mercados latino-americanos.

Trata-se de um desempenho superior ao da China, onde estes ramos aumentaram 9% no ano passado. Em todo o mundo, os seguros P&C cresceram 4%.

No Brasil, porém, o crescimento não chegou a 3%.