AMEAÇA VIRTUAL

Brasil está entre 5 maiores fontes de ataques cibernéticos

Levantamento da Threatmetrix aponta país como pólo de fraudes com criação de contas falsas; EUA, Reino Unido, França e Alemanha completam o grupo

09/11/2017 – 19:19
Atualizado em 08/12/2017 – 06:28
Ataques cibernéticos são uma preocupação cada vez maior para as empresas. (Foto: Divulgação)

Ataques cibernéticos são uma preocupação cada vez maior para as empresas. (Foto: Divulgação)

Depois da soja, da pecuária e dos craques da bola, o Brasil agora está se tornando um dos maiores exportadores mundiais de crimes cibernéticos.

É o que indica o mais recente relatório de segurança cibernética divulgado pela Threatmetrix, uma empresa especializada no combate e prevenção das ameaças virtuais.

De acordo com a empresa, no terceiro trimestre de 2017, o Brasil se consolidou como um dos cinco maiores países em termos da origem dos ataques cibernéticos sofridos pelas empresas em todo o mundo.

Ao menos o país está em uma companhia respeitável, já que os outros campeões na produção de pilantras da internet são grandes potências econômicas: Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha.

Outra conclusão do estudo é que o volume de ataques cibernéticos em todo o mundo está aumentando a um ritmo acelerado. A Threatmetrix afirma ter parado 171 milhões de ataques contra seus clientes entre julho e setembro, o que representa um aumento de 100% com relação ao mesmo período de 2015.

O aumento parece estar correlacionado com grandes vazamentos de dados sofridos por empresas nos últimos meses, de acordo com a companhia.

Não é portanto nenhuma surpresa que outro estudo, elaborado pelo Instituto Ponemon, um think tank especializado, e pela consultoria Accenture tenha observado um forte incremento nos gastos em segurança cibernética por parte das grandes empresas.

Especialidade

De acordo com a Threatmetrix, a grande especialidade dos ataques originados no Brasil é a criação de contas de usuários falsas que são utilizadas para cometer fraudes.

A América do Sul é responsável por 43% de todos os ataques através da criação de falsas contas de usuários, a maior proporção do mundo.

Os principais alvos dos ataques brasileiros são empresas sediadas nos Estados Unidos, Argentina, Reino Unido e Colômbia, além do próprio Brasil.

Empresas de mídia são as mais visadas, e o volume de ataques originados na região cresceu 68% desde o terceiro trimestre de 2015.

Mas o Brasil não é o único país emergente que está ganhando espaço neste segmento do submundo, já que China, Índia e Vietnã também se encontram entre os dez maiores produtores mundiais, grupo completado pela Itália e a Espanha.

Segundo a Threatmetrix, o crescimento dos ataques está relacionado também ao forte aumento das transações realizadas por meio de telefones celulares. Pela primeira vez a empresa registrou mais operações feitas por telefone celular do que por computadores em um trimestre.

Os ataques mais comuns visam os dados de usuário e senhas de acesso a sites e apps, com 83% do total, seguidos dos pagamentos eletrônicos, com 14%. A criação de contas falsas representa 3% de todos os ataques observados pela Threatmetrix.

Custos

Com os ataques cibernéticos em alta, as empresas também estão gastando cada vez mais dinheiro em medidas de segurança para tentar evitá-los.

Segundo o levantamento do Instituto Ponemon e da Accenture, as grandes empresas globais estão gastando 23% mais em 2017 do que no ano passado em cibersegurança.

Isso equivale a US$ 11,7 milhões por ano, em média, entre as empresas pesquisadas.

Apesar do aumento do investimento em segurança, as perdas também não param de crescer.

Entre as 254 empresas pesquisadas, estima-se que o número de ataques bem-sucedidos chegou a 130 por ano, contra 122 na pesquisa do ano passado.

As tecnologias de segurança mais utilizadas são os sistemas de inteligência sobre segurança cibernética, empregada por 67% das empresas pesquisadas, e as técnicas avançadas de identificação e acesso aos sistemas de informática, com 63%.

Clique aqui para ler o relatório da Threatmetrix, e aqui, o do Instituto Ponemon e Accenture, ambos em inglês.