OBSTÁCULOS AOS NEGÓCIOS

Brasil é 64º em ranking de cadeia de suprimentos

Antes mesmo da greve dos caminhoneiros, país recebeu avaliação medíocre em estudo sobre risco de interrupção de atividades

24/05/2018 – 18:25
Atualizado em 08/06/2018 – 07:04
Ceasa sem trabalho

Greve dos caminhoneiros deixou trabalhadores ociosos na Ceasa, no Rio (Foto: Tomaz Silva/Ag Brasil)

Ao acompanhar a greve dos caminhoneiros e seus efeitos, um investidor estaria justificado em pensar que o Brasil é um país complicado para fazer parte da cadeia de suprimento de sua empresa.

A paralização de mais de um milhão de caminhões em um país excessivamente dependente de transporte rodoviário já causou problemas a empresas exportadoras, falta de combustível, desabastecimento de alimentos e água, suspensão do atendimento em hospitais e outras atribulações aos negócios e famílias brasileiras.

O pior é que nem é necessário que os motoristas de caminhão cruzem os braços para que as empresas, tanto nacionais como do exterior, tenham que se preocupar com o risco de interrupção de negócios.

Os números frios do problema são apresentados no relatório anual de resiliência das cadeias de suprimento elaborado pela seguradora FM Global e que foi publicado em maio.

No documento, o Brasil parece na 64ª colocação, entre 130 países e regiões do mundo, no ranking das economias que oferecem as melhores condições para ter cadeias de suprimento resilientes, como se diz no jargão do setor.

A pontuação coloca o Brasil atrás do México (62ª posição),  India (60ª), Turquia (59ª), Rússia (54ª) e África do Sul (42ª), entre as principais economias emergentes.

Mas pelo menos supera as três regiões da China incluídas no levantamento.

Critérios

O Brasil obteve uma avaliação medíocre apesar de sair em vantagem em comparação com muitas outras economias em um dos principais quesitos avaliados pela FM Global, a exposição a catástrofes naturais.

O país está fora das rotas dos furacões e não sofre com terremotos, erupções vulcânicas e incêndios florestais em áreas de alta densidade populacional.

Por outro lado, o relatório reconhece que, quando acontecem catástrofes, o país está mal preparado para enfrentá-las, como se vê cada vez que acontecem tempestades nas grandes cidades.

Para fins de comparação, o Brasil recebe 75,7 pontos no quesito de exposição às catástrofes naturais, contra um rotundo zero dado ao Japão, que comumente tem que enfrentar terremotos, ciclones, tsunamis e erupções vulcânicas. Quanto mais pontos, menor é a chance de que a cadeia de suprimentos sofra com o problema.

Por outro lado, no item que avalia a preparação do país para enfrentar as catástrofes, o Brasil recebe magros 31,6 pontos, contra 67,1 do Japão.

O país também tem uma reputação penosa no que diz respeito a outros fatores como o controle à corrupção (27 pontos), as políticas de prevenção de incêndio (22,8 pontos), a produtividade da economia (11,5 pontos) e a qualidade da infraestrutura (27,3 pontos).

Seria de se esperar que a nota tupiniquim caia um pouco mais neste último quesito após o impacto da greve dos caminhoneiros na economia.

A FM Global dividiu a avaliação em três principais setores: a economia, a qualidade do risco, e as cadeias de suprimento.

Nesse último, o Brasil amarga a 78ª colocação no ranking.

Melhores e piores

O pódio da resiliência das cadeias de suprimento, segundo a FM Global, é ocupado pela Suíça, que ficou em primeiro lugar, seguida por Luxemburgo, Suécia, Noruega e Alemanha.

Já os países piores avaliados são o Haiti, a Venezuela e o Nepal.