MERCADO EM EVOLUÇÃO

AXA CS cobra mais apoio do resseguro contra risco ‘cyber’

CEO na França diz que empresa já oferece cobertura para interrupção de negócios sem danos materiais, uma demanda de multinacionais

Rodrigo Amaral, em Deauville (França)
01/02/2017 – 21:27
Atualizado em 07/03/2017 – 09:17
Matthieu Caillat, da AXA CS

Matthieu Caillat, da AXA CS, falando durante encontro da AMRAE, em Deauville. (Foto: Divulgação)

O mercado de resseguros tem sido muito tímido no campo dos riscos cibernéticos, mas está começando a dar mais apoio às seguradoras que trabalham neste segmento.

A observação foi feita por Mathieu Caillat, CEO da AXA Corporate Solutions na França, no primeiro dia dos Rencontres de l’AMRAE, a conferência anual dos gestores de riscos franceses.

Ele fez o comentário ao falar da expansão da oferta de produtos e serviços para a transferência de riscos cibernéticos, um segmento do mercado que está mais desenvolvido nos Estados Unidos, e que agora ganha corpo também na Europa.

Caillat observou que os riscos “cyber” são um segmento-chave para a AXA CS em seus planos de desenvolvimento global. A empresa está procurando expandir sua gama de coberturas e diz já poder prover apólices que incluem temas espinhosos, como a proteção contra a interrupção de negócios sem danos materiais, uma antiga demanda dos gestores de riscos de empresas multinacionais.

A AXA CS espera que o volume de prêmios cyber chegue a US$ 1 bilhão na Europa na década de 2020, na medida em que a demanda cresce com a percepção do risco cada vez mais acentuada entre as empresas.

Mas o desenvolvimento do setor depende de que o mercado ressegurador dê mais apoio aos subscritores primários, alertou o executivo.

Timidez

“O resseguro tem sido muito tímido com os riscos cibernéticos, o que é compreensível”, afirmou Caillat durante um encontro com a mídia especializada em Deauville. “A modelização do risco ainda não se encontra no mesmo nível de outras linhas, e há o problema da acumulação dos riscos.”

Caillat se referia às incertezas causadas pelas chamadas exposições ocultas dos riscos cibernéticos, ou seja, os danos que podem ser causados por eventos cibernéticos, mas que o mercado ainda não consegue antecipar.

Devido a esta incerteza, e à própria natureza do mercado ressegurador, que tende a agregar exposições dos seguradores primários, os resseguradores têm se mostrado relutantes a oferecer capacidade para o segmento.

Mas Caillat disse que a situação está melhorando, ainda que não para todo o mundo. “Em 2017, temos coberturas [de resseguro cyber] melhores do que em 2016”, afirmou ele. “Mas isso exigiu uma atividade intensa de lobby [junto ao mercado ressegurador].”

“Nós notamos que as resseguradoras estão mais preparadas para acompanhar as seguradoras que investiram nos meios adequados para lidar com essas exposições de forma apropriada, que investiram em ferramentas internas e externas para entender melhor o risco”, acrescentou.

O executivo disse ainda que, entre as novas soluções que empresas como a AXA CS podem oferecer no futuro, encontra-se a possiblidade de adotar índices paramétricos para acionar as coberturas de riscos cibernéticos.

Isso vai depender, porém, de  o mercado evoluir cada vez mais na compreensão de um risco que segue sendo bastante difícil de quantificar. “A questão, nesse caso, é realmente encontrar os índices corretos”, afirmou.

Prioridades

Os riscos cibernéticos e paramétricos foram apontados por Caillat como duas das grandes prioridades da AXA CS em seus planos de crescimento global.

Outra área em que a empresa está olhando com carinho é a de riscos de energia, especialmente as atividades de “midstream” e “downstream” – ou seja, no caso de petróleo, por exemplo, incluindo o refino e distribuição, mas não a exploração.

A AXA CS também está buscando expandir cada vez mais sua presença global, com o executivo citando especificamente a América do Sul como uma região de interesse, ao lado da China e da Austrália. Vale lembrar aqui que a empresa comprou em 2015 a área de grandes riscos da Sul América no Brasil.

A presença territorial também se explica pelo investimento que a AXA CS está fazendo no setor de programas internacionais para grandes clientes corporativos.

A habilidade de prestar serviços em vários países é fundamental neste segmento, e a AXA CS hoje em dia até presta serviços para outras seguradoras menores em vários mercados internacionais, disse Caillat.

Em 2016, a seguradora francesa registrou um aumento de 11% no volume de apólices locais emitidas como parte de programas internacionais de seus clientes. Essas apólices chegaram a mais de 10.300 no ano passado.

A AXA CS afirma ter mais de 1.900 programas internacionais em seu portfólio, um aumento de 12% comparado a 2015, representando €1 bilhão em prêmios. As perdas seguradas ligadas a estes programas chegaram a €708 milhões em 2016, relacionadas a nada menos do que 43.200 sinistros.