ENERGIA

Austral aposta em recuperação de riscos do petróleo

Resseguradora contrata ex-IRB Brasil Re para estruturar operação na área no Brasil e em outros mercados da América Latina

19/04/2017 – 14:14
Atualizado em 19/05/2017 – 07:20
Elias Junior_Austral Re
Elias Silva Júnior, da Austral Re (Foto: Divulgação)

Apostando na retomada do setor de petróleo e gás no Brasil, a Austral Re está expandindo sua presença na área de riscos de energia.

A empresa contratou Elias Silva Júnior para desenvolver a atuação da empresa em um segmento que enfrentou um duro período nos últimos anos, mas vê a possibilidade de dias melhores pela frente.

A indústria petroleira foi severamente atingida desde 2015 pelos efeitos da operação Lava Jato, que começou investigando escândalos centrados na Petrobras, e pela dramática desaceleração da economia brasileira.

Para completar a “tempestade perfeita”, o preço do petróleo despencou, chegando a menos de US$ 30 por barril no mês de março de 2016, o que deprimiu ainda mais os investimentos no setor.

A falta de atividade atingiu o mercado segurador, que viu os prêmios de riscos de petróleo caírem quase pela metade entre 2013 e 2016 (de R$ 720 milhões para R$ 390 milhões).

Mas a retomada do preço do petróleo para cerca de US$ 50, a incipiente melhoria do cenário econômico doméstico e as mudanças das regras de exploração das reservas do pré-sal estão reanimando as empresas de seguros e resseguros que trabalham com o setor.

“O fim da exigência de participação da Petrobras nos projetos do pré-sal facilita a atração de novas empresas para o Brasil”, disse Silva Júnior a Risco Seguro Brasil. “A tendência é que a atividade no setor volte a ser igual ou superior à do auge da indústria do petróleo no Brasil, em 2013 e 2014.”

Pulverização do risco

“O setor de seguros vai voltar a ter oportunidades neste segmento, e nós estamos nos preparando para oferecer capacidade para o mercado”, acrescentou o executivo.

O mercado de seguros de petróleo apresenta uma elevada parcela de utilização de resseguro, no que a Austral identifica como uma oportunidade para as resseguradoras locais.

Segundo Silva Júnior, que antes trabalhava no IRB Brasil Re, a média de transferência de prêmios ao resseguro chega a 85%, devido a alta intensidade dos sinistros que podem potencialmente afetar o setor.

Só para ter uma ideia, a BP estimou que o custo total do grande vazamento de petróleo em uma de suas plataformas no Golfo do México (EUA), em 2010, chegou a quase US$ 62 bilhões – cerca de R$ 195 bilhões no câmbio atual.

Os próprios mercados de resseguros tendem a pulverizar muito estes riscos, dividindo as exposições em consórcios formados por vários atores globais.

“É um mercado extremamente dependente do resseguro”, afirmou Silva Júnior. “Ninguém fica com 100% do risco.”

Além do Brasil, a Austral planeja expandir sua oferta no ramo de energia para outros países da América Latina onde opera, como Colômbia e Equador, que são importantes produtores de petróleo.

Silva Júnior afirmou que a Austral vai atuar em todas as coberturas disponíveis na cadeia do petróleo, desde a construção até riscos operacionais e a operação dos poços.

A empresa está estruturando sua área de energia e Silva Júnior espera que já comece a operar no segmento em junho deste ano, para aproveitar uma esperada retomada de negócios no setor em 2018.

Duro para todo mundo

Não é só no Brasil que o mercado de riscos de energia anda complicado, porém. Segundo relatório da Willis Tower Watson, o principal centro de resseguros para o setor viu uma queda significativa no volume de prêmios nos últimos dois anos.

Segundo a corretora, em 2014, os prêmios de seguros de energia do mercado Lloyd’s chegavam a mais de 1 bilhão de libras. No final de 2016, não passavam de 700 milhões.

Isso porque os preços estão sob pressão de baixa devido a uma abundância de capacidade no mercado internacional. A empresa estima que, para as atividades de exploração, a capacidade global chega a US$ 7,72 bilhões, comparado com US$ 7,56 bilhões no relatório anterior, divulgado no ano passado.

Nas atividades downstream, ou seja, de refino e distribuição, a capacidade aumentou de US$ 6,19 bilhões para US$ 6,5 bilhões, e para cobrir riscos de responsabilidade das empresas de energia, de US$ 3,2 bilhões para US$ 3,3 bilhões.

Além disso, a competição está cada vez mais dura, com um número crescente de resseguradoras mostrando disposição para assumir posições de liderança em contratos para todos os tipos de risco.

A Willis Tower Watson observa que, apesar do mercado difícil, os portfólios de risco de energia continuam dando lucro para o setor. Mas também alerta que mesmo um modesto aumento nos níveis de sinistralidade pode reverter esta situação.