VIRA VIROU?

Após crescer 4,2%, mercado torce por recuperação

Estudo da JLT mostra que setor de seguros teve outro período difícil em 2017, ainda que linhas como garantia e transportes mostraram bom desempenho

19/04/2018 – 17:21
Atualizado em 11/05/2018 – 06:44

Após vários anos desalentadores, as empresas estão torcendo para que o crescimento da economia se consolide e que os negócios voltem a frutificar com vigor.

O mercado de seguros não é diferente. Relatório da corretora JLT mostra que 2017 foi mais um ano duro para o setor, com expansão de prêmios para lá de moderada e várias linhas de negócios apresentando resultados bastante fracos.

Outras, porém, se valem de idiossincrasias da economia brasileira para se desenvolver. É o caso do seguro garantia, uma das estrelas do setor de seguros não-vida em 2017.

Análise da JLT com base nos números da Susep mostrou que o mercado de seguros como um todo, incluindo linhas individuais e comerciais, cresceu parcos 4,2% em 2017, atingindo R$ 100,72 bilhões em volumes de prêmios.

Ainda que modesta, a performance foi superior à de 2016, quando a expansão foi de 1,2%. Do lado positivo, a persistente lentidão da economia ajudou o setor a ver uma redução a sinistralidade, que baixou para R$ 44,23 bilhões, comparada com R$ 45,11 bilhões em 2016 e R$ 45,8 bilhões em 2015.

Ainda assim, o lucro líquido do setor baixou 5,6% em 2017, batendo em R$ 16,8 bilhões. Segundo a JLT, isso se deve ao impacto do aumento das despesas com atividades comerciais e os menores resultados financeiros, que sofreram devido à dramática queda das taxas de juros.

Por linhas

O panorama do setor varia, porém, de acordo com as linhas analisadas pela corretora.

Muito ligados à atividade econômica, os seguros de engenharia estiveram os que mais sofreram em 2017, com uma queda de 41,1% nos resultados. As empresas atuantes no segmento tiveram um lucro acumulado de R$ 186,8 milhões no ano.

Tanto o volume de prêmios, que variou -36,3%, quanto os níveis de sinistralidade, com -54,6%, despencaram no decorrer do ano. No caso da sinistralidade, a queda também está ligada ao aumento que havia ocorrido em 2016 devido à tragédia de Mariana.

Os seguros de óleo e gás também passaram por momentos difíceis. Os prêmios caíram 24,9% em 2017 e agora são menos da metade do que eram em 2014.

Outro setor que sofreu com a crise foi o aeronáutico, e os seguros ligados à atividade apresentaram uma queda de 21,5% no volume de prêmios no ano passado, chegando a R$ 316,2 milhões.

A sinistralidade, por sua vez, aumentou 2,8%, atingindo R$ 420,3 milhões. Ainda assim, o segmento fechou o ano com lucro de R$ 64 milhões, graças, segundo a JLT, à recuperação de sinistros de resseguro, que aumentaram mais de 60% no ano até chegar a R$ 389,6 milhões.

No grupo de responsabilidade civil, os prêmios de RC Ambiental cresceram 27,2%, impulsados pela catástrofe da Samarco. Mas outras linhas tiveram um desempenho bem inferior, e o volume de prêmios de RC como um todo se contraiu em 0,7%. O lucro nessas linhas também caiu, sendo 36,6% inferior ao de 2016.

Garantia

Bom desempenho teve o seguro garantia, com expansão de 26,8% e totalizando R$ 3 bilhões em prêmios.

A sinistralidade, afetada pela Operação Lava Jato, pulou 34,6%, gerando perdas de R$ 680,46 milhões para o setor. Ainda assim, as linhas de garantia, beneficiadas pela generalização da cobertura judicial, postou lucro acumulado de R$ 1,1 bilhão, o que foi 13,4% maior que em 2016.

Outro setor que se beneficiou de ineficiências da sociedade brasileira foi o de seguro de transportes, em que os prêmios chegaram a R$ 2,75 bilhões após crescer 6,2%. Os transportes de carga se expandiram 17%, em grande medida devido ao aumento da criminalidade no setor, afirma a JLT.

Os lucros aumentaram em 80,2%, fechando o ano em R$ 268,1 milhões.

Já os transportes de valores são incluídos na família dos riscos diversos, que teve um aumento de 15,2% no volume de prêmios (R$ 2,5 bilhões), mas uma queda de 16,6% nos resultados (R$ 592,1 milhões).

Os seguros marítimos foram fortemente afetados por uma alta da sinistralidade e fecharam o ano com resultados 20,9% menores que em 2016.

Entre os seguros patrimoniais, houve um crescimento de 5,5% em 2017, chegando a R$ 9,6 bilhões em prêmios emitidos. O número inclui tanto coberturas residenciais quanto comerciais.

Um dos segmentos em que a JLT espera forte crescimento é o de D&O, que se expandiu 8% em 2017, mas ficou abaixo das expectativas do mercado, segundo a corretora. Além disso, devido a casos como a Lava Jato, a sinistralidade aumentou em 58% no ano.

Neste ano, com as mudanças aprovadas pela circular 553 da Susep, a JLT prevê crescimento entre 10% e 15% no segmento.