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Após 2017 catastrófico, mercado volta à calmaria

Swiss Re confirma ano passado como recordista em perdas seguradas, mas  Aon Benfield constata que capital segue fluindo para o setor

19/04/2018 – 13:41
Atualizado em 25/05/2018 – 10:12

Depois da tempestade, calmaria. O batido dito popular parece descrever com perfeição a situação dos mercados de seguro e resseguro globais após um ano marcado por perdas catastróficas.

Relatório divulgado em abril pela Swiss Re confirmou que o ano 2017 foi o pior já registrado, em termos de perdas asseguradas, para o setor.

Os furacões que atingiram os Estados Unidos e o Caribe no segundo semestre, somados a terremotos, incêndios florestais na Califórnia e enchentes na Europa e na Ásia, custaram ao setor US$ 144 bilhões em 2017.

As perdas econômicas foram ainda mais devastadoras, chegando a US$ 337 bilhões, revelando uma lacuna de coberturas de seguro de US$ 193 bilhões em um só ano, observa a Swiss Re.

Mesmo assim, os investidores continuaram a trazer capital fresco para o setor, levando a corretora Aon Benfield a prever uma nova série de renovações competitivas, mesmo em linhas que sofreram perdas recentemente.

Em sua análise do mercado ressegurador no primeiro trimestre, a Aon Benfield observa que, enquanto as perdas catastróficas de 2017 foram muito elevadas, 2018 começou de forma bem mais amena.

A corretora calcula que as perdas observadas no primeiro trimestre somaram apenas US$ 7 bilhões, o que é inferior à média para o período registrada nos últimos anos.

Em 2017, ainda antes da série de catástrofes que marcaram o ano, o total de perdas seguradas foi de US$ 13 bilhões de janeiro a março.

Capital de sobra

O que parece claro é que os investidores hoje em dia têm mais medo de investir em ativos que pagam uma mixaria do que de sofrer perdas nos mercados de seguro.

A Aon Benfield estima que, apesar das catástrofes do ano passado, o volume de capital disponível no mercado de resseguros subiu pelo terceiro ano consecutivo.

Graças a um aumento de 2% na comparação com 2016, no final do ano passado havia US$ 605 bilhões de capacidade de resseguro disponível, o mais alto valor já registrado.

O aumento mais significativo ocorreu na capacidade dedicada a mecanismos de resseguro alternativo, como os títulos catastróficos, sidecars e colaterais de resseguro, que passaram de US$ 81 bilhões para US$ 89 bilhões no espaço de um ano.

Já a capacidade de resseguro tradicional se expandiu em US$ 2 bilhões, para 516 bilhões.

Juros baixos

De acordo com a corretora, alguns fatores ajudam a explicar porque as perdas catastróficas de 2017 não espantaram os investidores do mercado.

Por exemplo, de US$ 136 bilhões em perdas asseguradas devido a catástrofes naturais no ano passado analisados pela Aon Benfield, cerca de US$ 20 bilhões foram na realidade absorvidas por agências do governo americano.

Além disso, altos níveis de retenção praticados por seguradoras primárias, um efeito do longo mercado brando, reduziu as perdas sofridas pelas resseguradoras.

E também ajuda o fato de que as taxas de juros seguem no subsolo nos países desenvolvidos, reduzindo as alternativas de que dispõem os investidores institucionais dos países desenvolvidos para fazer trabalhar os seus portfólios de investimento.

A corretora observou ainda que, apesar dos problemas, “o setor tradicional de resseguros como um todo continuou ganhando dinheiro em 2017”.