DESASTRES EM SÉRIE

2017 pode quebrar recorde de perdas catastróficas

Fitch estima que acúmulo de prejuízos pode chegar a US$ 190 bilhões e afetar reservas de algumas seguradoras

28/09/2017 – 11:30
Atualizado em 20/10/2017 – 05:13
destruição do Irma

Menina caminha em região devastada pelo furacão Irma nas Ilhas Turks e Caicos, no Caribe. (Foto: UNICEF Canadá)

O acúmulo de eventos catastróficos dos últimos meses pode levar a perdas seguradas de até US$ 190 bilhões em 2017, de acordo com a agência de avaliação de crédito Fitch.

Neste caso, as perdas acumuladas podem ter um impacto significativo sobre as reservas de capital de seguradoras e resseguradoras, afetando suas avaliações de risco, afirmou a empresa em uma nota.

Nos últimos dois meses, os Estados Unidos e o Caribe foram afetados pelos furacões Harvey, Irma e José. Na última semana, outro furacão, o Maria, causou grande devastação no Caribe e no território americano de Porto Rico.

Além disso, dois fortes terremotos atingiram o México em setembro, o segundo dos quais destruiu propriedades na Cidade do México, capital e principal centro econômico do país.

Por motivos variados, apesar das grandes perdas econômicas causadas, nenhum dos eventos foi suficiente para, sozinho, afetar as reservas do mercado de seguros.

Mas a indústria pode sentir os efeitos da agregação de perdas seguradas, que, segundo a Fitch, devem superar US$ 100 bilhões.

No cenário mais negativo, o número pode ser de até US$ 190 bilhões. Nesse caso, será uma das maiores perdas já sofridas pela indústria de seguros e resseguros em um só ano.

Maria

Em sua nota, a Fitch cita estimativas da empresa de modelação de riscos Air Worldwide, segundo a qual o furacão Maria terá causado perdas asseguradas de até US$ 85 bilhões.

O Maria foi especialmente destruidor em Porto Rico, onde matou 16 pessoas de acordo com as últimas estimativas.

O custo do Irma, que atingiu a Flórida e o Caribe, é estimado em US$ 50 bilhões, e o do Harvey, em US$ 25 bilhões.

Já os terremotos do México devem custar US$ 3 bilhões ao setor. A esses números devem-se somar os US$ 20 bilhões em perdas no que foi um benéfico, porém já distante primeiro semestre para a indústria.

A Fitch estima que as empresas de seguro patrimonial dos Estados Unidos, mais afetadas pelos eventos catastróficos, acumulam cerca de US$ 700 bilhões em reservas de capital regulatório.

Já a indústria global de resseguros, que vai absorver parte do baque, tem outros US$ 600 bilhões, incluindo fontes de capital alternativo.

Estes números mostram que, ainda que as perdas acumuladas se confirmem no ponto mais alto das estimativas, a indústria tem capital suficiente suficiente para absorvê-las.

Mas as perdas são de tal magnitude que empresas individuais mais expostas aos furacões e terremotos podem ver suas reservas de capital afetadas.

Em alguns casos, segundo a Fitch, esse pode resultar no corte das avaliações de risco de crédito dessas companhias. As mais expostas são seguradoras locais de Porto Rico e da Flórida.

A empresa cita, no caso portorriquenho, a Universal, que faz parte do grupo Mapfre entre as seguradoras patrimoniais com maior parcela do mercado.